Obama diz que ataques no Iraque não são retorno à guerra

Cláudia Trevisan

08 de agosto de 2014 | 01h37

Quando anunciou que os EUA poderão realizar ataques aéreos no Iraque dois anos e meio depois de ter encerrado a guerra no país, o presidente Barack Obama tentou assegurar o público interno que a operação não significa o retorno americano ao confronto. “Na posição de comandante-em-chefe, eu não vou permitir que os Estados Unidos sejam arrastados para lutar outra guerra no Iraque”, declarou Obama em pronunciamento à nação na noite de quinta-feira.

Depois de um dia de reuniões com sua equipe de segurança, o presidente anunciou que os Estados Unidos poderão realizar bombardeios aéreos para proteger funcionários americanos ou romper o cerco do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (Isil, na siga em inglês) a milhares de integrantes de minorias religiosas refugiados em montanhas no nordeste do Iraque.

Obama disse que os eventuais ataques serão precisos e limitados e não envolverão a entrada de tropas americanas em solo iraquiano. O presidente voltou a repetir que não acredita em uma saída militar para o conflito no Iraque. “A única solução de longo prazo é a reconciliação entre comunidades iraquianas e o fortalecimento das forças de segurança iraquianas.”

Desde junho, o presidente vem pressionando os líderes políticos de Bagdá a criarem uma administração que inclua as diferentes correntes da sociedade iraquiana e não seja dominado de maneira desproporcional pelos xiitas, grupo ao qual pertence o primeiro-ministro Nuri Maliki. Sem um governo inclusivo, Washington não acredita que haverá estabilidade no país.

Antes do pronunciamento de Obama, o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, responsabilizou a intransigência política de Maliki pelo avanço do Isil e a intensificação da guerra que ameaça desintegrar o Iraque. Segundo ele, os EUA não querem estar em uma situação na qual o governo iraquiano dependa exclusivamente do poderio militar americano para permanecer no poder.

No comando do Iraque desde 2006, Maliki lidera o movimento político que venceu as eleições parlamentares realizadas no dia 30 de abril. Mas Washington não esconde o desconforto com o antigo aliado nem o desejo de que o país tenha outro primeiro-ministro. Em um sinal das dificuldades nas negociações entre as diferentes etnias e correntes religiosas e políticas, o processo de formação do novo governo ainda está em andamento, mais de três meses depois das eleições.

Em junho, Obama havia condicionado uma eventual ação militar americana no Iraque às reformas para criação de um governo inclusivo. Mas o cálculo do presidente mudou depois do rápido avanço registrado pelo Isil a partir sábado, acompanhado da fuga de dezenas de milhares de pessoas em direção à fronteira com a Turquia. “Nós podemos agir de maneira cuidadosa e responsável para evitar um potencial ato de genocídio. É isso que nós vamos fazer naquela montanha”, afirmou Obama.