Onda repressiva leva mais um dissidente chinês à prisão

Cláudia Trevisan

20 de janeiro de 2012 | 08h11

O governo chinês condenou ontem um ativista pró-democracia a 10 anos de prisão sob acusação de “subversão do poder do Estado”, no terceiro caso semelhante em menos de um mês. O cerco de Pequim aos dissidentes se intensificou a partir de fevereiro de 2011, em resposta a tentativas fracassadas de realização de protestos inspirados na Revolução do Jasmim que derrubou ditadores no mundo árabe.

“As autoridades estão usando essas penas severas para mandar uma mensagem aos ativistas de que eles serão punidos se defenderem reformas democráticas”, disse Wang Songliang, do Chinese Human Rights Defenders (CHRD), entidade com sede em Hong Kong.

A decisão de ontem foi proferida pela Corte Popular Intermediária de Wuhan, capital da província central de Hubei, e atingiu o escritor Li Tie. Segundo informações dadas por sua família ao CHRD, as evidências apresentadas no julgamento foram artigos críticos ao governo, a participação em discussões promovidas na internet por sites “reacionários”, comentários “reacionários” em encontros com amigos e a filiação ao Partido Democrático Social da China.

No dia 23 de dezembro, o dissidente Chen Wei foi condenado a 9 anos de prisão sob acusação de “incitamento à subversão” na província de Sichuan, no centro-oeste do país, em razão de quatro artigos em defesa de reformas democráticas que divulgou na internet. Três dias mais tarde, uma corte na província de Guizhou, no sudoeste, sentenciou o ativista Chen Xi a 10 anos de prisão, sob a mesma acusação.

Ambos os Chen _que não têm relação de parentesco_ participaram dos protestos na praça Tiananmen em 1989 e foram signatários da Carta 08, o documento em defesa de reformas democráticas divulgado em dezembro de 2008.

O principal mentor da Carta 08, Liu Xiaobo, venceu o Prêmio Nobel da Paz de 2010 e cumpre desde dezembro de 2009 pena de 11 anos de prisão.
Os três dissidentes condenados nas últimas semanas se declararam inocentes e ressaltaram que a Constituição chinesa garante a liberdade de expressão. “Não é um bom momento para ser um ativista na China”, lamentou Wang, do CHRD.

Na quarta-feira, o escritor chinês Yu Jie afirmou em entrevista coletiva em Washington que foi torturado sob custódia policial no período de entrega do Prêmio Nobel da Paz a seu amigo Liu Xiaobo, em dezembro de 2010.

Autor de “O Melhor Ator da China: Wen Jiabao”, no qual ataca o primeiro-ministro do país, Yu Jie se autoexilou nos Estados Unidos no dia 11 de janeiro, depois de uma longa negociação com as autoridades de Pequim para ter autorização de deixar o país.

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