EUA usam ‘diplomacia do futebol’ com o Brasil

Cláudia Trevisan

15 de abril de 2014 | 10h23

Sem nenhum indicação de que a presidente Dilma Rousseff pretende remarcar sua visita oficial aos EUA para este ano, o governo americano usa a “diplomacia do futebol” para tentar reconstruir as pontes com o Brasil, abaladas desde ano passado pelas revelações de espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA).

Na tarde desta segunda-feira, o vice-presidente, Joe Biden, e o secretário de Estado, John Kerry, abriram espaço em suas agendas para participar da apresentação da Taça da Copa do Mundo, que faz a última parada de seu tour por 88 países no Estados Unidos. No dia 21, o troféu volta ao Brasil.

No evento, Biden confirmou que assistirá a um jogo do time americano na Copa, mas não revelou qual. Os EUA enfrentarão Gana, no dia 16 de junho, Portugal (22) e Alemanha (26). Ainda não está claro se Biden se encontrará com a presidente Dilma. Segundo o Palácio do Planalto, a única reunião bilateral que já está confirmada para o período da Copa é com a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, em Salvador. Todas os demais ainda estão sendo planejadas.

Biden lembrou que futebol foi o tema da conversa do último encontro que teve com Dilma, no dia 11 de março, na posse da presidente do Chile, Michelle Bachelet. Ambos dividiram a mesa do banquete oficial com o príncipe de Astúrias, Felipe de Borbón, e os líderes de Colômbia, Peru e Haiti.

Segundo relato de Biden, Dilma escutou em silêncio enquanto o príncipe explicava porque a Espanha venceu a Copa de 2010 e os demais se gabavam de momentos históricos de suas seleções. Quando finalmente falou, ela ressaltou que o Brasil é o único país que já ganhou cinco Mundiais –e não apenas no Hemisfério Ocidental, relatou Biden.

Kerry disse que jogou futebol quando era estudante universitário e observou que o esporte é praticado por vários de seus assessores. “Só contrato jogadores de futebol”, brincou. “Os Estados Unidos e o Brasil são parceiros naturais em diversos aspectos, apesar de diferenças ocasionais que aparecem”, observou, sem fazer referência direta ao escândalo da NSA, que levou Dilma a cancelar a visita que faria a Washington em outubro.

O secretário de Estado lembrou que historicamente o esporte desempenhou um papel importante nas relações externas dos EUA e mencionou a “diplomacia do ping pong” que antecedeu o processo de abertura da China nos anos 70 e a atuação dos atletas que ajudaram a “quebrar o gelo” durante a Guerra Fria, quando conseguiam competir do outro lado da Cortina de Ferro.

“Os atletas podem ser nossos melhores embaixadores”, afirmou Kerry. Mas ele reconheceu que será difícil realizar seu desejo de ver uma partida na Copa entre os times do Brasil e dos Estados Unidos. “Para isso, nós teremos que passar pela Alemanha, Portugal e Gana”, disse, em referência aos times do “grupo da morte” no qual os EUA estão.

John Feeley, secretário-ajunto para o Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado, disse que a Copa jogará um papel na reconstrução dos laços entre os dois países. “Estados Unidos e Brasil somos sócios. Nós temos que nos aproximar e vamos nos aproximar. O Mundial será parte desse processo.”

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