Os turistas chineses

Os turistas chineses

Cláudia Trevisan

09 de abril de 2009 | 11h59

O mundo está em crise, o desemprego em alta e as exportações em baixa, mas os chineses continuam a viajar vorazmente por seu país, alimentando a enorme indústria do turismo interno. A China deve ser o único lugar do mundo em que qualquer atração turística tem sempre mais visitantes do próprio país do que estrangeiros. A Grande Muralha talvez seja o local mais apropriado para o forasteiro sentir o que significa uma população de 1,3 bilhão de pessoas, mas a sensação de ser minoria no mar de chineses está presente na Cidade Proibida, na distante província de Yunnan, nos jardins de Suzhou ou na gelada Harbin, que fica próxima da Sibéria.

A supremacia dos chineses não decorre da ausência de turistas estrangeiros. Em 2007, a China recebeu 54,72 milhões de visitantes _cerca de 10 vezes mais que o Brasil_ e a Organização Mundial do Turismo prevê que o país asiático destronará a França e será o destino número 1 dos viajantes até 2014. Os chineses são maioria em todas as atrações porque eles viajam muito dentro de seu próprio país. As estatísticas oficiais registraram 1,6 bilhão de viagens internas de turismo em 2007.

No sábado fui com minha amiga Janaína Silveira para Hangzhou, cidade que fica a 174 km de Xangai e que muitos consideram a mais bonita da China. A principal atração local é o enorme Lago do Oeste, com sua paisagem que evoca pinturas clássicas chinesas. Cheguei à cidade sob chuva e tive que explorar o lugar com uma sombrinha em uma das mãos, enquanto tentava tirar fotos com a outra. Eu e Janaína não éramos as únicas destemidas. O lago estava absolutamente apinhado de turistas chineses com sombrinhas coloridas.

No dia seguinte, fomos para Suzhou, cidade célebre por seus jardins imperiais. Era um domingo, véspera do feriado do dia dos mortos. Os trens de Hangzhou para Suzhou estavam lotados e só conseguimos lugar em pé. Por sorte, havia mesas no restaurante do trem, onde comemos e passamos as três horas e meia de viagem.

Muitos chineses trabalharam no feriado e a data não é uma opção tradicional para viagens, como o Ano Novo ou o 1º de Maio. Isso significa que o movimento que vimos não é muito distante do que ocorre em um fim de semana normal.

As ruas e jardins de Suzhou estavam cheios de turistas, muitos fotografando as flores que começam a aparecer na Primavera. Na manhã de terça-feira, perdemos o primeiro vôo de Xangai para Pequim e quase não conseguimos embarcar a tempo de estarmos de volta antes do almoço. Todos os vôos estavam lotados e tivemos sorte em conseguir as duas últimas vagas em um que saiu às 10h55. Entre as 7h55 e o meio-dia há nada menos que 16 vôos de Xangai para Pequim, todos em aviões grandes, com capacidade para no mínimo 300 passageiros.

Aí vão as fotos:

Turistas no Lago do Oeste, em Hangzhou

A chuva não impediu os passeios de barco pelo lago

A estação de trem de Hangzhou

A sala de espera de apenas duas plataformas; há pelo menos mais três como esta em Hangzhou

O interior de um dos vagões: cheio, mas bem distante da loucura do Ano Novo, quando os corredores vão apinhados de pessoas viajando em pé

Nossas vizinhas no vagão do restaurante

Turistas em um dos jardins de Suzhou

Turista frotografa flores em jardim

Um das ruas turísticas de Suzhou

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