País rico, população pobre

Cláudia Trevisan

22 de agosto de 2010 | 23h33

A China que ultrapassou o Japão e se tornou a segunda maior economia do mundo em 2010 ainda tem 150 milhões de pessoas que vivem com menos de US$ 1,00 ao dia, a maior população de pobres do mundo depois da Índia. É a primeira vez que um país em desenvolvimento chega ao topo do ranking, dominado por nações ricas, o que agrega mais um ingrediente ao caráter único da emergência chinesa.

Os demais ocupantes das sete primeiras posições são Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Inglaterra e Itália, que possuem renda per capita de US$ 35,3 mil a US$ 46,4 mil. A da China está em US$ 3,7 mil, um décimo do mais baixo valor de seus vizinhos no ranking. Na classificação de acordo com a renda per capita, o país aparece em 98º lugar, logo atrás da Albânia.

A próxima nação em desenvolvimento da lista é o Brasil, a oitava maior economia do mundo, cuja renda per capita está em US$ 8,2 mil.

Com uma população de 1,3 bilhão, a China teria que ter um PIB de US$ 50 trilhões para obter uma renda per capita comparável à do Japão. O valor equivale a três vezes e meia o tamanho da maior economia do mundo, a dos Estados Unidos, de US$ 14,3 trilhões.

Outro elemento peculiar da ascensão chinesa é o fato de que 53% de sua população continuar a viver no campo. São 700 milhões de pessoas que ainda precisam ser incorporadas à era industrial e ao mercado consumidor, universo que equivale a mais de três Brasis.

Nos próximos 20 anos, cerca de 400 milhões de camponeses vão se mudar para as cidades, movimento visto como uma das principais fontes estruturais de crescimento da China. Essas pessoas vão precisar de casa e infraestrutura, o que implica o consumo de aço, cimento, energia e o emprego de milhões de operários.

Essa reserva de mão-de-obra barata também significa que a China continuará a ser competitiva em indústrias de baixo valor agregado, como brinquedos, calçados e têxteis, mesmo enquanto sobe na escala de valor e produz bens de tecnologia cada vez mais sofisticada. À diferença de outros países, que abandonavam as indústrias de baixo valor agregado na medida em que galgavam a lista das maiores economias do mundo, a China ainda vai mantê-las por algumas décadas, ao mesmo tempo em que desenvolve setores de alta tecnologia.

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