Relação com o Brasil está em ‘ascensão’, diz diplomata dos EUA

Cláudia Trevisan

09 de junho de 2015 | 20h47

A relação entre Brasil e Estados Unidos está em “ascensão” e viverá um ano crucial em 2015, avaliou nesta terça-feira a secretária assistente para as Américas do Departamento de Estado, Roberta Jacobson. Segundo ela, a superação da crise gerada pelas revelações de Edward Snowden, a eleição presidencial no Brasil e mudanças no cenário econômico mundial levaram os dois países a discutirem uma agenda concreta de cooperação.

“Há uma enorme quantidade de coisas que podemos fazer com o Brasil e, a esta altura, estou bastante otimista”, disse Jacobson em seminário sobre América Latina no Wilson Center. No fim do mês, a presidente Dilma Rousseff fará uma visita oficial a Washington, que deverá marcar o início de um novo capítulo na relação entre os dois países.

Na opinião de Jacobson, a desaceleração da China e os processos de integração da Aliança do Pacífico e da Parceria Transpacífica afetaram a maneira pela qual o governo brasileiro vê negociações comerciais internacionais. Para a diplomata, essas transformações estão levando alguns países do Mercosul a analisarem possibilidades que não pareciam atrativas há alguns anos. Entre elas, estão discussões sobre a conveniência de países do bloco realizarem negociações independentes ou permanecerem na moldura do Mercosul. “Eu considero fascinantes os comentários individuais de alguns países, que você não teria visto há alguns anos.”

Na última semana de maio,  Dilma e o presidente do México, Enrique Peña Nieto, anunciaram o início da negociação de um amplo acordo de liberalização comercial, que pode ser o mais ambicioso fechado pelo Brasil desde o Mercosul. A decisão marcou um ponto de inflexão da postura do governo petista em relação à integração comercial fora do bloco, desprezada no primeiro mandato de Dilma. Na avaliação de Jacobson, a visita da brasileira a Washington trará avanços em várias setores da relação bilateral, incluindo o econômico-comercial.

A diplomata observou que os escândalos de corrupção no hemisfério, entre os quais mencionou o da Petrobras, provocam um onda de “frustração e raiva” em vários países, como Brasil, Chile, México, Guatemala e Honduras. Mas ela disse ter “orgulho e esperança” com o fato de que a população ter ido às ruas para protestar contra a corrupção, na maior parte dos casos de maneira pacífica.

Responsável pelas negociações para o restabelecimento de relações diplomáticas com Cuba, Jacobson elogiou trecho do discurso de Dilma na Cúpula das Américas, em abril, no qual a presidente disse que nenhum dos milhões de brasileiros que protestaram de maneira não violenta contra seu governo foi preso. Em sua avaliação, a declaração tinha por alvo a Venezuela, onde o governo colocou na prisão manifestantes e líderes de partidos de oposição. “Eu fiquei extremamente feliz”, observou, sobre a posição da presidente brasileira.

A revelação de que a Agência de Segurança Nacional (NSA) espionou suas comunicações levou Dilma a cancelar a visita de Estado que faria a Washington em outubro de 2013. A decisão congelou grande parte das iniciativas bilaterais, que começaram a ser retomadas em janeiro, no início do segundo mandato da petista. O gelo foi totalmente quebrado em abril, quando ela e o presidente Barack Obama se reuniram durante a Cúpula das Américas, no Panamá.

Na próxima semana será realizado em Brasília o Fórum de CEOs Brasil-Estados Unidos, com a presença da secretária de Comércio dos EUA, Penny Pritzker. Criado em 2007 como um espaço de discussão do setor privado dos dois países, o grupo não se reunia desde 2013.

Dilma aproveitará a passagem pelos Estados Unidos para se encontrar com grandes investidores em Nova York, na manhã do dia 29. A presidente estará acompanhada do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Em paralelo, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, comandará um seminário sobre investimentos em infraestrutura no Brasil. O evento será encerrado por Dilma, que viajará em seguida a Washington. Na noite do dia 29, ela será recebida em jantar na Casa Branca. No dia seguinte, ela e Obama terão uma reunião de trabalho.