Só para lembrar…

Cláudia Trevisan

09 de outubro de 2009 | 01h07

Se alguém havia esquecido, o desfile de celebração dos 60 anos de fundação da República Popular da China no dia 1º de outubro se encarregou de lembrar que o país continua a ser governado por um Partido Comunista orgulhoso de sua herança marxista-leninista-maoísta. “Só o socialismo pode salvar a China”, afirmou em seu discurso o presidente Hu Jintao, usando o mesmo modelo de terno chinês celebrizado por Mao Tsé-tung.

A parada militar também deixou claro que não faz parte dos planos dos comunistas qualquer projeto de reforma política que reduza o seu poder. Na China, o cada vez mais poderoso exército é subordinado ao Partido Comunista e não ao Estado, o que dá à organização uma posição única na defesa de seus interesses. Em declarações divulgadas antes das celebrações, o ministro da Defesa, Liang Guanlie, ressaltou os benefícios da coesão ideológica do Exército de Libertação Popular. “A maior diferença entre as nossas Forças Armadas e as ocidentais é a de que nós temos a vantagem da orientação do Partido e o trabalho ideológico e político.”

O desfile civil que se seguiu ao militar ressuscitou o slogan “Longa vida a Mao Tsé-tung”, que marcou o conturbado período da Revolução Cultural (1966-1976). O enorme retrato do líder revolucionário abria a apresentação de estudantes e voluntários, seguido das imagens de Deng Xiaoping, Jiang Zemin e Hu Jintao.

Muita coisa mudou na China nesses 60 anos, mas permaneceu inalterada a posição do Partido Comunista como único detentor do poder no país. E a julgar pelas celebrações de 1º de outubro, isso não deverá mudar.

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