Super-Terça transforma Biden no favorito da corrida democrata

Moderados, que representam maioria dos eleitores da legenda, se uniram em torno do ex-vice-presidente nos últimos quatro dias; dúvida é se ele conseguirá maioria dos delegados antes da convenção do partido, marcada para julho

Cláudia Trevisan

04 de março de 2020 | 17h57

Joe Biden saiu da Super-Terça como o grande favorito para ganhar a nomeação do Partido Democrata na disputa pela Casa Branca, posição que era ocupada por Bernie Sanders há menos de uma semana. No espaço de quatro dias depois de sua vitória nas primárias da Carolina do Sul, no sábado, o ex-vice-presidente consolidou o voto de moderados que representam a maioria da legenda e que estavam dispersos entre quatro diferentes candidatos.

Dois deles, Pete Buttigieg e Amy Klobuchar, deixaram a corrida no domingo e anunciaram apoio a Biden. O terceiro, Michael Bloomberg, suspendeu sua campanha na quarta-feira e também aderiu ao time do ex-presidente.

A disputa ficará polarizada entre o esquerdista Sanders e o centrista Biden, que será beneficiado nas próximas semanas pelo mapa das primárias. Muitos dos Estados que irão às urnas estão na Costa Leste e no Sul dos EUA, onde o ex-presidente demonstrou força na Super-Terça, o dia em que 34% dos delegados que definirão a candidatura democrata foram escolhidos.

Dentro de uma semana, seis Estados terão primárias. Biden deve ganhar em pelo menos quatro deles. No dia 17, outros quatro irão às urnas. Entre eles, a Flórida, que tem o quarto maior número de delegados depois da Califórnia, Nova York e Texas. O agregado de pesquisas calculado pelo site Real Clear Politics dá 22 pontos de vantagem para Biden no Estado. Sanders aparece em terceiro lugar, atrás de Bloomberg, que desistiu ontem.

Nova York, que só decidirá no dia 28 de abril, também dará vitória ao ex-vice-presidente. Sanders tem vantagem em alguns Estados da Costa Leste, como Washington e Idaho, e do Meio-Oeste, entre os quais Iowa, Wisconsin e Dakota do Norte.

O senador por Vermont possui o grande trunfo de ter vencido na terça-feira na Califórnia, o Estado que tem o maior número de delegados. Mas Biden deve ficar com os três seguintes no ranking: Texas (onde venceu na terça), Nova York e Flórida.

A grande dúvida é se o ex-vice de Barack Obama conseguirá conquistar a maioria de delegados antes da convenção do Partido Democrata, marcada para julho. O cenário em que nenhum candidato obtém mais de 50% dos votos antes da convenção é considerado o mais provável pelo site Five Thirty Eight, especializado em pesquisas e projeções eleitorais. Há uma probabilidade de 61% de que isso ocorra. Com 31%, a vitória de Biden aparece em segundo lugar entre os cenários mais prováveis, seguida da vitória de Sanders, com 8%.

Se nenhum dos candidatos tiver maioria dos votos, a decisão será tomada durante a convenção, na qual Biden terá enorme vantagem sobre Sanders. Caso nenhum deles vença na primeira rodada de votação, haverá uma segunda, da qual participarão os chamados “superdelegados”, que são detentores de mandatos ou dirigentes do Partido Democrata. Em outras palavras, representantes do “establishment” que Sanders tanto demoniza. Eles são mais moderados e sua tendência será votar em Biden.