Trump alimenta propaganda jihadista

Cláudia Trevisan

31 Janeiro 2017 | 03h02

Considerado o maior propagandista do extremismo islâmico, Anwar al-Awlaki fez uma previsão em 2010 que ganhou popularidade entre jihadistas na internet desde veto de Donald Trump à entrada nos EUA de refugiados e islâmicos: “O Ocidente vai eventualmente se voltar contra seus cidadãos muçulmanos”.

Apresentado como uma medida para combater o terrorismo, o decreto assinado às pressas pelo presidente americano na sexta-feira deve ter o efeito oposto. A decisão fortalece a narrativa de que os EUA estão em guerra com o islã –e não apenas contra extremistas- e abala a cooperação com países de maioria muçulmana que desempenham um papel vital no combate a grupos terroristas.

Só no mês de novembro, 2.000 soldados iraquianos morreram na luta contra o Estado Islâmico. Ainda assim, o país foi incluído na lista das sete nações cujos cidadãos estão impedidos de entrar nos EUA por 90 dias. Entre os que foram barrados pela imigração nos últimos dias estão tradutores que trabalharam durante anos com tropas americanas no país.

Al-Awlaki foi morto por forças americanas em setembro de 2011, mas sua previsão continuou a ecoar entre jihadistas e ganhou novo significado nos últimos dias. Como outras medidas anunciadas desde a posse de Trump, o bloqueio decretado na sexta-feira é justificado por exageros, diagnósticos equivocados e propostas simplistas para questões complexas.

O novo presidente suspendeu a entrada nos EUA de refugiados de todo o mundo por um período de quatro meses. Vítimas de uma guerra civil que dura seis anos e já provocou a morte de 400 mil pessoas, os refugiados sírios tiveram sua entrada no país barrada por prazo indefinido.

Um dos mais conservadores think tanks de Washington, o Cato Institute diz que a medida é ineficaz para combater o terrorismo e deve tornar os EUA menos e não mais seguros. De acordo com a entidade, a chance de alguém ser morto por um refugiado no país a cada ano é de 1 em 3,64 bilhão.

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