Trump e Macron: do tenso aperto de mão aos beijos

Cláudia Trevisan

25 Abril 2018 | 10h27

Em seu dois primeiros encontros com Donald Trump, há quase um ano, Emmanuel Macron foi preparado para resistir aos intensos apertos de mão do presidente americano, o que transformou os cumprimentos em uma literal disputa de força entre os dois líderes. Quando chegou à Casa Branca na tarde de segunda-feira, o francês adotou outra estratégia e desarmou o anfitrião com dois beijos no rosto, que se repetiram no dia seguinte.

Trump devolveu a demonstração de intimidade quando ambos estavam em pé diante de fotógrafos e jornalistas no Salão Oval. “Nós temos uma relação muito especial. Aliás eu vou tirar esse pedaço de caspa daqui”, declarou, enquanto passava a mão no ombro esquerdo do visitante. “Nós temos que fazer com que ele seja perfeito. Ele é perfeito”, emendou.

Ao fim dos comentários iniciais na entrevista coletiva que concederam na terça-feira, Macron puxou Trump para mais um beijo, ao qual o americano respondeu com outra declaração de afeto: “Eu gosto muito dele”.

A evolução do tenso aperto de mão aos beijos simboliza a transformação da relação entre os dois presidentes desde a eleição de Macron, em maio, quando ele foi saudado como o anti-Trump. Então com 39 anos, ele parecia ser o oposto do septuagenário americano em quase todos as questões internacionais. O francês é defensor da globalização e do multilateralismo, enquanto o americano foi eleito com uma retórica nacionalista que vê a integração e a cooperação internacional com desconfiança.

Ao lado de Trump ontem, Macron tocou nesses e em outros pontos de divergência, entre os quais o Acordo de Paris sobre mudança climática, que os EUA abandonaram. Mas o francês também enfatizou os pontos de concordância, em especial a luta contra o terrorismo e a ação na Síria. Ao fazer isso, ele criticou de maneira indireta o antecessor de Trump, Barack Obama, o que certamente fortaleceu ainda mais sua imagem perante o americano.

“No passado, às vezes a França defendeu que era o momento de ter ação contra armas químicas e não foi seguida por seus aliados, inclusive os Estados Unidos”, afirmou, referindo-se à ameaça não concretizada de Obama de atacar a Síria em 2013. “Isso não foi o que aconteceu agora”, observou, 11 dias depois de forças francesas, americanas e britânicas terem atacado o que descreveram como instalações ligadas ao programa de armas químicas de Bashar Assad. “Nós decidimos juntos o que era possível e o que não era.”

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