Adivinha quem veio a Caracas?
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Adivinha quem veio a Caracas?

denisechrispim

27 de março de 2014 | 14h49

 

Com uma agenda paralela à do Itamaraty em Caracas, o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, ingressou no dia 26 nas reuniões dos chanceleres da União Sul-Americana de Nações (Unasul) com organismos de direitos humanos, estudantes e com o setor econômico do governo de Nicolás Maduro. Marco Aurélio não fazia parte da delegação do chanceler Luiz Alberto Figueiredo, conforme informou o embaixador brasileiro na Venezuela, Ruy Pereira.

 

No primeiro dia de reuniões dos chanceleres da Unasul, 25 de março, Marco Aurélio manteve-se distante desses compromissos. Sua agenda em Caracas, segundo a embaixada brasileira, era desconhecida e independente da do chanceler. Naquela noite, ele telefonou ao ministro Figueiredo antes do encontro dos chanceleres com os líderes da Mesa de Unidade Democrática (MUD), a frente de partidos da oposição. Figueiredo jantava no restaurante do hotel onde se deu parte dos encontros da Unasul.

 

No dia 26, porém, Marco Aurélio decidiu acompanhar os encontros dos chanceleres com empresários, líderes estudantis, representantes de órgãos do governo e do Judiciário. Fui informada que ele se manteve calado e não teve participação ativa nessas conversas. Teria ingressado e saído das salas de reuniões em vários momentos. No final da tarde, seguiu a delegação brasileira ao Teatro das Academias, onde os chanceleres conversaram com os líderes estudantes que protestam contra o governo de Maduro.

 

Já vi coisas semelhantes acontecerem no passado, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, quando os negociadores comerciais brasileiros tentavam avançar nos acordos e se viam tolhidos pela cúpula do Itamaraty. Nesses casos, a orientação vinha da própria Casa de Rio Branco. Não da Presidência da República. Nas questões de América Latina, a posição de Marco Aurélio sempre se sobrepôs à do chanceler nos tempos de Lula. Embora quieto e discreto, no dia 26, a presença do assessor presidencial não passou sem registro nos círculos diplomáticos dos países da Unasul.

Comentem.

Tudo o que sabemos sobre:

chancelerMarco AurélioUnasulVenezuela

Tendências: