Da China para a festa de Dilma
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Da China para a festa de Dilma

denisechrispim

26 de fevereiro de 2014 | 17h35

Xi Jinping, presidente da China, quer estragar a festa da presidente Dilma Rousseff. O líder chinês estará em Fortaleza no dia 15 de julho, para participar da reunião de cúpula dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Nos dois dias seguintes, conforme esperado pelo Palácio do Planalto, faria apenas uma visita oficial ao Brasil. Mas, agora, Xi quer mais: assistir a final da Copa do Mundo, no dia 16, e roubar a cena da colega brasileira no Maracanã. O Itamaraty não sabe qual desculpa dar ao governo da República Popular.

Xi é fã de futebol, ao contrário de Barack Obama, adepto do basquete e do golfe. A diplomacia chinesa já havia conseguido arrastar o encontro dos Brics de abril para julho, para aproximar a agenda de Xi no Brasil à dos jogos. Dilma Rousseff terá de decidir se concede ou nega ao líder chinês o prazer de assistir à final. Se negar, terá de estudar como fazê-lo sem provocar um incidente diplomático ou, como reação mínima, ver expressa o desagrado chinês nos acordos a serem fechados durante a visita bilateral.

Se não encontrar como dizer não e levar Xi ao Maracanã, Dilma Rousseff dividirá as honras, que considera só suas, com o presidente chinês. Ainda pode ser exposta a um vexame, diante de Xi, se o público não a receber com simpatia, como aconteceu no ano passado na abertura da Copa das Confederações, ao lado de Joseph Blatter, presidente da Fifa. O ex-presidente Lula igualmente ouviu vaias na abertura dos Jogos Panamericanos, em 2007. Ainda há os riscos de protestos e de violência do lado de fora do Maracanã.

Não haveria dilema sobre convidar ou não o presidente da China para a final da Copa se este não fosse um ano eleitoral. Os passos da presidente até o final de outubro estão calculados com base no critério da reeleição. Para o País , não há dúvidas que a presença de Xi Jinping à final da Copa não é uma questão maior. Pode ser até um sinal simpático, caloroso, benéfico para as relações bilaterais.

O tema de fundo, de interesse nacional, será extrair de sua visita acordos de fôlego entre a China e o Brasil ajustados às reformas domésticas que o governo chinês está começando a empreender. A China pretende sustentar seu crescimento econômico mais no consumo doméstico do que nas exportações e investimentos, como veio fazendo nas últimas duas décadas. O governo brasileiro terá de dar um sentido estratégico de longo prazo para essa visita. É o que os chineses certamente farão. As oportunidades oferecidas pela transição do modelo econômico chinês devem identificadas e aproveitadas, para evitar que o Brasil continue a ser apenas um supridor de matérias-primas da quase primeira economia do mundo.

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