Mais Quatro Anos
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Mais Quatro Anos

denisechrispim

07 de novembro de 2012 | 03h20

Barack Obama foi reeleito ontem. As projeções das redes de televisão NBC e CNN, consideradas muito bem calculadas, mostravam a conquista pelo presidente de 274 delegados no Congresso Eleitoral, a instância indireta e final do processo americano. São apenas quatro a mais do que o necessário.  Mitt Romney, seu desafiador republicano, conseguira 203 delegados. A vitória de Obama na Pensilvânia, que se inclinara nas últimas semanas para seu opositor, e também em Ohio e em Michigan, Estados de imensa participação da indústria automotiva em suas economias, garantiram ao presidente a reeleição.

 

            A vitória foi anunciada às 23h30 de 6 de novembro na Costa Leste americana (2h30 de 7 de novembro, no horário de Brasília), quando ainda estava em curso a votação em Estados tradicionalmente indecisos e cruciais – a Flórida e a Virgínia. O Colorado, outro Estado-chave, estava na metade da apuração. Na frente da Casa Branca, eleitores de Obama festejaram o resultado, assim como os convidados para assistir a seu discurso de vitória, no McCormick Center, o principal centro de convenções de Chicago.

 

            Karl Rove, eminência parda do governo de George W. Bush e um dos principais investidores em propagandas de Romney,  foi a principal voz dissidente. Na FoxNews, rede de televisão conservadora, Rove insistia na conclusão das apurações antes de se proclamar a vitória de Obama. A campanha de Romney não reconhecia a derrota em Ohio, em uma indicação de que o resultado oficial ainda deve esperar uma disputa na Justiça em torno dos votos por correio. E o bilionário Donald Trump, com a certo da vitória de Romney no voto popular, conclamava pateticamente o país a uma “revolução” contra o resultado “vergonhoso”.

 

            O resultado certamente provocará um choque no partido republicano. O movimento mais razoável seria uma reflexão sobre a resistência do cidadão a seu ideário mais radical em questões como o ajuste nas contas públicas e o papel do Estado como motivador da economia e nos debates sobre questões morais e sociais. Mais plausível, infelizmente, será uma resistência ainda mais ácida às propostas da Casa Branca no segundo mandato de Obama pela Câmara dos Deputados. Ontem, os republicanos ampliaram sua maioria na Casa. Os democratas tendiam a aumentar seu controle sobre o Senado. Mantida a polarização percebida nos últimos dois anos, o país será o maior sacrificado. Obama, seja como for seu segundo mandato, já entrou para a história.

 

O primeiro teste sobre como republicanos e democratas lidarão com os desafios dos EUA se dará nos debates sobre o plano de longo prazo de ajuste nas contas públicas e o aumento do teto de endividamento do governo federal. Se não fecharem em consenso no Congresso até 31 de dezembro, o ano de 2013 começará com a paralisia do governo Obama, sem recursos para efetuar pagamento de despesas correntes e de sua dívida e com corte forçado no orçamento do ano, sobretudo nos gastos sociais e de Defesa. Em resumo, o país quebrará. Caso contrário, poderá se beneficiar de uma possível retomada de investimentos e se preparar para o imprevisível do outro lado do Atlântico.

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