O cálculo eleitoral do desemprego
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O cálculo eleitoral do desemprego

denisechrispim

06 de julho de 2012 | 13h32

Um balde de água caiu sobre Barack Obama nesta sexta-feira, no interior de Ohio. A esperança de melhora na taxa de desemprego dos Estados Unidos, de 8,2% em maio, se desfez com a divulgação do mesmo porcentual em junho. Até ontem, quinta-feira, os sinais eram mais positivos, ancorados no cálculo da criação de 176 mil postos de trabalho no mês feito pela ADP, uma das maiores empresas de recursos humanos do país. Mas foram gerados apenas 60 mil.

 

Em alta desde o final de 2008, a taxa de desemprego tornou-se neste ano a medida da capacidade de reeleição de Obama ou da escolha de seu rival republicano, Mitt Romney. Desemprego é a imagem mais flagrante do estado da economia, e será este o fator decisivo em 3 de novembro. Desde o começo de 2011, quando as campanhas começaram a ser montadas, a reativacão da economia e a geração de postos de trabalho tornaram-se reféns da ambição eleitoral republicana.

 

Os dois partidos políticos – democrata e republicano – estão se afastando do centro nos últimos 30 anos e chegaram, desde 2010, a uma polarização extrema. No caso da base republicana, o apego aos preceitos mais radicais da doutrina liberal, incluindo aí o ajuste severo nas contas públicas e a redução do endividamento federal,  ultrapassou os limites da razão. Resgatar a economia e colocá-la em um ritmo capaz de gerar empregos e elevar a renda das famílias, mesmo ao custo da derrota eleitoral, não é opção para eleitores e políticos do partido.

 

Desde janeiro de 2011, quando retomaram o controle da Câmara de Deputados, os republicanos empatam a recuperação da economia americana. São 19 meses, outros cinco adiante. Todos os projetos enviados pela Casa Branca para estimular pequenas empresas, de aumento do investimento público em obras rodoferroviárias e de construção de escolas, de incentivo fiscal à inovação tecnológica e à contratação de empregados, de impulso aos setores de energia limpa estão engavetados na Câmara. A proposta mais “radical” de Obama, do ponto de vista republicano, é a extinção do benefício fiscal para os americanos com renda anual superior a US$ 1 milhão, uma ideia avalizada pelo bilionário Warren Buffett. Sem chances de passar.

 

A boa vontade de examinar os projetos dos democratas para, quem sabe, melhorá-los não existe para os republicanos.  Bipartidarismo virou um anátema nessa bancada. Não estão cegos, os republicanos. Conscientes, apostam no “quanto pior, mais fácil” derrubar os democratas da Casa Branca. Se Mitt Romney vencer Obama, terá diante de si uma economia à beira ou já mergulhada em recessão. Até agora, esse empresário do setor de private equity não apresentou sua receita para tirar a economia do lamaçal.