O fator China
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O fator China

denisechrispim

18 de março de 2011 | 03h27

Meus caros,

Os Estados Unidos chegam atrasados ao Brasil. A China já pagou o sinal de suas aquisições futuras de petróleo do pré-sal, investiu em setores produtivos e de telecomunicações e posicionou-se em licitações para obras de infra-estrutura, como o trem-bala entre São Paulo e Rio.  O investimento chinês no Brasil  pode alcançar US$ 40 bilhões em 2014, segundo a consultoria Deloitte. Tudo isso com o mais claro incentivo e aval de Pequim. Empresas européias, japonesas e coreanas igualmente se movimentam nas concorrências para as construções necessárias para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, escudadas no avanço do diálogo político com o Brasil. As americanas correm atrás.

Para a primeira visita ao Brasil de seu presidente, Barack Obama, em tempos de ação militar na Líbia e de crise nuclear no Japão, a Casa Branca afastou o tradicional discurso sobre as convergências entre as duas maiores democracias multirraciais das Américas. Preferiu encarar o “interesse econômico e estratégico” dos EUA nessa relação. Em termos claros: geração de empregos em um país ainda afetado por uma taxa de desemprego de 8,9%.

“A China leva Brasil a sério, como seu parceiro”, avaliou Evan Ellis, professor do Center for Hemispheric Defense Studies, em recente artigo. “O governo chinês está fazendo uma importante aposta no Brasil como um dos pilares de sua projeção na América Latina, para obter um fácil acesso a seus  produtos primários, a novos mercados e a outros objetivos estratégicos.”

Mas, e os EUA? No ano passado, alertado para as oportunidades já perdidas para a concorrência chinesa, européia, japonesa e coreana, o presidente da Câmara Americana de Comércio, Tom Donohue, chegou a esmurrar a parede.  O  bonde brasileiro já havia passado, carregado de obras, de oferta futura de petróleo e de aumento de mercado consumidor. Obama desembarcará na manhã de sábado em Brasília com pelo menos dois anos de atraso em busca dos contratos secundários e em situação de desvantagem.

Os EUA continuam a ser o maior investidor estrangeiro no Brasil.  No comércio, as exportações brasileiras para o mercado americano caíram 43%, em 2010, enquanto para a China aumentaram 14% – em parte, reflexo da crise nos EUA. Mesmo assim, o Brasil foi um dos raros países a gerar superávit comercial para os EUA nos últimos dois anos – de US$ 7,7 bilhões, em 2010, e de US$ 4,3 bilhões, em 2009. Ainda assim, Washington permaneceu longo período sem embaixador titular em Brasília e deixou-se afetar pelas rusgas políticas com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Assim como recebeu de bom gosto o pacote de US$ 48 bilhões em investimentos da China, os EUA agora decidiram reagir em direção ao Brasil. Vamos ver…

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