O sapo enterrado e a teimosia de Obama
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O sapo enterrado e a teimosia de Obama

denisechrispim

05 de julho de 2012 | 15h10

 

Charlotte, na Carolina do Norte, tornou-se o pesadelo da campanha de reeleição de Barack Obama. Mesmo contra uma série de fatos e um possível sapo enterrado, o presidente teima em fazer nessa capital sulista a Convenção Democrata, entre os dias 3 e 6 de setembro. Em um relâmpado de bom senso, Obama concordou apenas em encurtar em um dia esse evento, que culminará com o lançamento oficial de sua candidatura ao segundo mandato.

Foi sua única concessão.

Nos cálculos de Obama e de seus principais colaboradores, a Carolina do Norte é um raro Estado sulista onde a guinada para o partido democrata ainda pode acontecer. Obama venceu seu rival na corrida de 2008, o senador John McCain, por 14 mil votos na Carolina do Norte e quer agora repetir o feito contra o republicano Mitt Romney. Os motivos para Obama desistir de Charlotte, porém, se acumulam e alimentam o risco de flagrante desastre para a Convencão Democrata.

Os sindicatos, aliados de primeira hora do partido, estão indignados com a escolha de um Estado no qual sua atuação não é bem vinda. A prefeitura de Charlotte não ajudou a amenizar esse mal estar e transferiu o tradicional desfile do Dia do Trabalho, em 3 de setembro, para a periferia da cidade. O melindre dos sindicatos não é desprezível. Em 2008, haviam doado US$ 8,6 milhões para a convenção democrata. Neste ano, nenhum centavo.

Sem essas doações e com o inusitado veto do partido a contribuições de grandes empresas para o evento, a convencão começa a ser organizada com um rombo de US$ 27 milhões. Os grandes espetáculos de abertura da convenção, por outras razões,  já foram cancelados. A Charlotte Speedway, popular corrida automobilística do Dia do Trabalho, foi transferida para uma cidade vizinha. E o comediante Andy Griffith, a estrela de um show programado, morreu no último dia 3 aos 86 anos de idade.

Como não bastasse, ainda há um escândalo sexual a assombrar o grande evento democrata. No final do ano passado, o presidente do partido no Estado, David Parker, acusou o então diretor da instituição, Jay Parmley, de haver assediado um funcionário. Parmley pediu demissão, e o empregado, Adrian Ortega, foi demitido. O episódio ameaça reduzir a já combalida coleta de doações.

A teimosia de Obama em manter a convencão em Charlotte já provocou a deserção de pelo menos 13 candidatos democratas. De Virgínia Ocidental, o governador Earl Tomblin, o senador Joe Manchin e o deputado federal Rick Rahall já anunciaram que não vão a Charlotte. Os senadores John Tester (Montana) e Claire McCaskill (Missouri) e os deputados federais William Owens e Kathleen Hochul (Nova York), Mark Critz (Pensilvânia), Jim Matherson (Utah), Richard Neal e Stephen Lynch (Massachusetts) também desistiram da convenção.

Um dos grandes aliados de Obama no Senado, John Kerry (Massachusetts), titubeia em comparecer ao evento. Em campanha pela sua quarta reeleição para a Câmara dos Deputados, Larry Kissell, da própria Carolina do Norte, foi além:  declarou ao Charlotte Observer que não apóia Obama como candidato democrata. Fico por aqui.

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