Redução de imposto para quem?
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Redução de imposto para quem?

denisechrispim

09 de julho de 2012 | 19h28

 


Do púlpito da Casa Branca, Barack Obama colocou em teste o mantra republicano contra aumento de imposto. Se não pôde nem pode vencer a oposição no Congresso ao propor o fim do benefício fiscal aos americanos com renda maior de US$ 250 mil ao ano, um “estímulo” criado por seu antecessor, o presidente americano agora sugeriu a extensão do mimo a todo contribuinte.

A proposta de isonomia parece ser mais uma provocação eleitoral de Obama do que uma ideia factível, com chances de aprovação pelo Congresso, sempre pronto a engavetar sugestões vindas da Casa Branca. Com o argumento de não ser o benefício para os “milionários” socialmente justo nem economicamente eficaz, o candidato à reeleição indiretamente questiona até que ponto vai o discurso republicano contra o aumento de tributos.

Obama afirmou nesta segunda-feira ser a redução do Imposto de Renda para os mais ricos o benefício menos eficaz para estimular o crescimento econômico. A medida está em vigor desde 2006, quando foi adotada pelo então presidente George W. Bush. No final de 2012, deve ser prorrogada mais uma vez pelo atual Congresso. A única chance de acabar com essa medida será no ano que vem, se os  democratas recuperarem a maioria na Câmara e preservarem a que mantêm no Senado na eleição de novembro.

Os mesmos parlamentares hoje sentados no Congresso americano terão de decidir, em dezembro, se mantêm um benefício fiscal bem menos polpudo hoje vigente para a classe média e se aprovam a nova tabela do IR, que aumentará as alíquotas para cada faixa de renda. Suas teorias sobre como reduzir acentuadamente o déficit público em curto e médio prazos sem comprometer o crescimento econômico serão postas contra a parede. Obama, em princípio, tenta adiantar esse debate e trazê-lo aos palcos eleitorais.

“Nós não precisamos mais de economia de cima para baixo. Já tentamos essa teoria e vimos o que acontece. Não podemos nos dar ao luxo de voltar a isso”, insistiu o presidente nesta segunda-feira, em um esforço para firmar-se como o candidato comprometido com a classe média.

A bola está com a oposição, e sua resposta será percebida com maior sensibilidade por parte do eleitorado republicano ainda não cooptada pelo discurso ultraliberal e pelos independentes. A campanha de Mitt Romney, antes mesmo de Obama dirigir-se à imprensa, emitiu um comunicado marcado pela irritação. “Ao contrário do presidente Obama, o governador Romney compreende que a última coisa que precisamos fazer nesta economia é aumentar os impostos sobre qualquer um”, disse o texto. Não houve sinais, entretanto, de convergência com a ideia de expandir um benefício fiscal hoje apenas concedido aos mais abastados.

Obama deverá fazer dessa proposta um novo slogan para seus comícios, a começar em Iowa na terça, 10 de julho. Poderá repetir seu próprio exemplo de contribuinte beneficiado pela boa vontade dos republicanos – sua renda anual de US$ 400 mil – enquanto sua secretária é obrigada a pagar uma alíquota efetiva mais alta. Já o fez muitas vezes antes, quando defendia apenas o fim do mimo aos mais abastados, com o apoio do bilionário Warren Buffet. Deverá conter-se e não mencionar a alíquota de 17%, em vez de 37%, aplicada no cálculo do IR de Romney, segundo ele próprio.

Não está claro se, além de provocação aos republicanos, essa nova proposta é apenas um blefe de Obama. Nas contas da Casa Branca, a redução do IR para os contribuintes com renda inferior a US$ 250 mil ao ano impedirá uma arrecadação anual de US$ 150 bilhões e seu efeito não tende a ser percebido de imediato na economia. Mas o benefício para os americanos com renda anual superior a US$ 250 mil impede a coleta de US$ 700 bilhões ao ano.

O déficit fiscal americano deverá alcançar 7,0% do Produto Interno Bruto neste ano, nas previsões do Fundo Monetário Internacional. O resultado, se confirmado, será dois pontos porcentuais abaixo do de 2011. A dívida pública americana fechará em 106,7% do PIB. Como reduzir esses porcentuais em longo prazo é ainda motivo de discenso entre o Executivo e o Legislativo dos EUA. Mas esse é um tema para outra carta.

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