Santo de casa
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Santo de casa

denisechrispim

17 de março de 2011 | 09h05

Meus caros,

A crise nuclear do Japão agravou-se. Os Estados Unidos emitiram nesta madrugada um alerta a seus cidadãos para se retirarem do Nordeste do país e proverá aviões para os deslocamentos. Washington não acredita mais nos pareceres técnicos das autoridades japonesas nem nos limites de distância por elas recomendadas. Até mesmo diplomatas foram autorizados a escapar do Nordeste do Japão, região sujeita a altos níveis de radiação devido à situação crítica do complexo de Fukushima.

A situação ainda traz ameaça à visita ao Brasil do presidente americano, Barack Obama, nos dias 19 e 20, e à continuidade de sua primeira jornada pela América Latina. Em Brasília, Obama pretende discutir com a presidente Dilma Rousseff a questão de segurança nuclear – algo oportuno, dados os temores ainda presentes sobre os dois reatores já assentados em Angra dos Reis e o terceiro, a ser inaugurado em 2015. O governo brasileiro vai definir neste ano as diretrizes para quatro novas usinas.  No Chile, país exposto a um terremoto em março de 2010 e sujeito a tsunamis, Obama vai firmar um acordo de cooperação em segurança nuclear.

Apesar da distância do Japão, os americanos estão acabando com os estoques de potássio iodado, pílulas para reduzir os efeitos da radiação. Em especial, os residentes na Costa Oeste americana e no Hawai. Mas há também precavidos da Virgínia, na Costa Leste. As autoridades de Saúde dos EUA já informaram não haver riscos de contaminação no país. Porém, muitos viveram o pânico de um ataque nuclear, no período da Guerra Fria, e ainda preservam o porão guarnecido. Outros se lembram do mais grave acidente no país, em 1979, quando o reator da usina Three Mille Island, no Estado da Pennsylvania, derreteu e provocou vazamento de gases radioativos.

Pelo sim, pelo não…

Tudo isso para lembrar que santo de casa não faz milagre. Muitos dos americanos hoje em busca das pílulas de potássio iodado podem já estar contaminados por vazamentos das usinas nucleares dos EUA. Arnie Gundensen, consultor da área de segurança nuclear, não tem dúvidas disso. A própria Comissão de Regulação Nuclear dos EUA confirmou ter havido vazamento de trítio radioativo em 27 das 104 usinas nucleares do país – todas perto do limite de 40 anos de vida útil. Desse conjunto, segundo Gundensen, 23 possui o mesmo desenho dos reatores de Fukushima, com envoltórios “fracos e pequenos demais”.

Em fevereiro passado, o Comitê de Regulação Nuclear dos EUA deu um sinal amarelo para 25 usinas por sua “ameaça substancial de segurança”. Isso significará apenas a realização de inspeções mais frequentes. Nesse grupo está a Vermont Yankee, na Costa Leste, a ser desativada em 2012. De propriedade da Entergy, essa usina tem apresentado problemas graves nos últimos anos. Em 2005, houve vazamento de trítio radioativo, repetido três vezes durante 2009.  Em 2007 e 2008, colapsou seu sistema de resfriamento do reator. Ainda assim, a Entergy pediu autorização para prosseguir com a atividade da usina por mais 20 anos. O Senado do Estado de Vermont teve bom senso. Desaprovou.

Até mais.

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