Americanos que vivem no Brasil também votam entre Hillary e Trump

Americanos que vivem no Brasil também votam entre Hillary e Trump

Mesmo morando fora dos EUA, eleitores explicam o que levaram em conta ao escolher seu candidato

Redação Internacional

08 de novembro de 2016 | 18h11

Por Mariana Machado, especial para o Estado

A corrida presidencial mais assistida no mundo chega ao fim. Nesta terça-feira, 8, milhões de americanos vão às urnas para escolher seu novo presidente. Mas em eleições com voto em cédula, a apuração é mais demorada e por isso alguns eleitores já depositaram seus votos.

Na corrida em que de um lado está a democrata Hillary Clinton e do outro o republicano Donald Trump, muitos cidadãos americanos querem participar, mesmo os que não vivem mais no país. Cidadãos que moram no exterior conseguiram votar se cadastrando no site do Programa de Assistência ao Voto Federal (FVAP) e preenchendo a cédula de voto que é enviada pelo correio. O prazo para o cadastro foi até o dia 10 de outubro e, para emissões pré-pagas, até 28 de outubro.

eleitores votam nova york. Foto: Lucas Jackson/Reuters

Eleitores fazem fila para votar em Harlem, Nova York. Foto: Lucas Jackson/Reuters

Para esses eleitores, votar significa exercer um dever patriótico. Natural do Estado da Califórnia, o presidente da Associação Americana de São Paulo, Richard Wegman, 65, acredita que é hora de mudanças. Eleitor de Trump, Wegman declara que é hora de menos política e mais negócios. “Eu acredito que quanto mais políticos se envolvem, mais o país precisa de alguém que venha com um olhar diferente para agitar as coisas e ver no que vai dar.”

Há 9 anos no Brasil, Wegman declara que se a vitória for para Hillary, o país irá dormir por mais quatro anos. “Nada anda para frente, nada é feito. É  hora de dar a um homem de negócios uma oportunidade.”

Trump fez declarações polêmicas como sobre a construção de um muro na fronteira com o México e a proibição da entrada de muçulmanos nos EUA. O discurso fez alguns eleitores mudarem de opinião. É o caso do empresário, John Kennedy, 59. Natural do Estado de Maryland, ele acredita que se não fosse a personalidade de Trump, o candidato teria seu voto. “Apesar de sempre ter sido republicano, não voto por Trump. Ele é um problema.”

Donald Trump em campanha. Foto: Loren ElliotThe Tampa Bay Times via AP

Donald Trump em campanha. Foto: Loren ElliotThe Tampa Bay Times via AP

Kennedy decidiu votar por Hillary, apesar de achar que ela não é a opção ideal. “Não sou fã das suas políticas domésticas e de tributação, mas dou crédito a ela por ser uma líder mais informada e mais preparada”, explica. Para o empresário que vive há 22 anos em São Paulo, seja qual for o candidato eleito, o resultado não deve interferir nas relações com o Brasil, mas deve-se manter a mente aberta para o mercado externo. “O Brasil tem que se esforçar mais, abrir mais a mente para chamar a atenção dos EUA.”

Por outro lado, a professora Amelia Chandler, 40, acredita que a vitória de Trump traria um reflexo negativo para o Brasil, especialmente quanto a políticas econômicas e de emissão de vistos. Chandler escolheu não votar no republicano, mas não está certa de que Hillary seja a melhor opção. “Eu não sei o que muda se ela ganhar, mas o que me interessa dela é a questão de não aumentar a carga tributária e um maior rigor na venda de armas. Se isso vai acontecer ou não, eu não sei. Ela não é uma candidata que me inspire confiança.”

Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao lado da candidata democrata à Casa Branca, Hillary Clinton. Foto: Nicolas Kamm/AFP

Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao lado da candidata democrata à Casa Branca, Hillary Clinton. Foto: Nicolas Kamm/AFP

A americana de Minessota mora no Brasil há 37 anos, mas sempre vota. Ela espera voltar a morar nos EUA um dia, mas por enquanto exerce a cidadania americana daqui mesmo, encorajando outros conterrâneos a votar também. “Eu mostro o caminho das pedras. Cada estado tem suas regras, não é a coisa mais fácil do mundo, mas vale a pena”, diz.

Segundo censo divulgado pelo grupo de pesquisas estatísticas, Statistic Brain, 146.311.000 pessoas se registraram para votar. A embaixada dos EUA no Brasil destaca que cada voto conta, desde que seja recebido até o prazo estabelecido e informa que o quanto antes enviado, mais garantida será a entrega do voto a tempo da contagem final.  

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