Análise: Desafio agora é vencer o desgaste de ser muito conhecida

Análise: Desafio agora é vencer o desgaste de ser muito conhecida

História de Hillary foi contada inúmeras vezes e nem todos os capítulos são favoráveis

Redação Internacional

29 de julho de 2016 | 05h00

Cláudia Trevisan
Enviada Especial / Filadélfia, EUA

A maioria das pessoas que disputam eleições enfrenta a dificuldade de se tornar conhecida dos eleitores. Hillary Clinton tem o desafio oposto. Com uma trajetória de quatro décadas na vida pública americana, a candidata democrata à presidência dos EUA tem uma história que já foi contada inúmeras vezes aos americanos e na qual nem todos os capítulos são favoráveis à sua imagem.

Com a candidatura oficializada, Hillary terá agora de apresentar uma face nova a eleitores excessivamente familiarizados com sua atuação, tarefa complicada por sua elevada rejeição. Segundo a média de pesquisas calculada pelo site Real Clear Politics, 56% dos entrevistados têm uma visão negativa da ex-secretária de Estado, número próximo dos 57% registrados por Donald Trump.

Hillary sofre de um déficit de credibilidade diante de eleitores que a veem como desonesta e não confiável. A candidata disse várias vezes que não é uma política “natural”, o que se reflete no estilo pouco espontâneo, interpretado por muitos como falta de autenticidade. O presidente Barack Obama disse na noite de quarta-feira que nunca houve uma pessoa tão qualificada e experiente a disputar a presidência dos EUA do que Hillary – nem ele nem o ex-presidente Bill Clinton.

Em 2000, Hillary se tornou a primeira ex-primeira-dama dos EUA a se candidatar a um cargo eletivo e, eleita, a primeira mulher a ir ao Senado pelo Estado. Oito anos mais tarde, Hillary tentou se tornar a primeira mulher a disputar a presidência do país por um grande partido, mas foi derrotada por Obama nas primárias. E o antigo rival a convidou para comandar a diplomacia à frente do Departamento de Estado.

Esse período gerou algumas das principais controvérsias usadas pelos republicanos para criticar Hillary: o ataque ao consulado americano em Benghazi, na Líbia, e o uso de um servidor privado de internet no período em que era secretária de Estado.

Depois que deixou a função, em 2013, ela recebeu US$ 675 mil do banco de investimentos Goldman Sachs para dar palestras, o que se transformou em outro flanco aberto na campanha eleitoral. Na quarta-feira, Obama a descreveu como lutadora, servidora pública e patriota. O desafio de Hillary agora é sobrepor essa imagem à percepção negativa que muitos americanos nutrem em relação a ela, o que pode ser ainda mais difícil diante dos esperados ataques que virão do lado adversário.

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