Análise: Os republicanos que são dignos de desprezo

Redação Internacional

02 Agosto 2016 | 05h00

Paul Krugman
THE NEW YORK TIMES

Donald Trump disse mais coisas asquerosas no fim de semana. Se isso o surpreende é porque não prestou atenção. E não fique surpreso se uma maioria de republicanos aprovar seu ataque contra os pais de um herói de guerra morto. Afinal, segundo uma pesquisa do YouGov, 61% dos republicanos apoiam seu pedido para os russos espionarem Hillary Clinton.

Mas este não é um artigo sobre Trump e as pessoas que concordam com tudo o que ele diz ou faz. Tem a ver com os republicanos – provavelmente uma minoria do partido, mas substancial – que não aceitam isso. Pessoas que não são racistas, respeitam os patriotas, mesmo que sejam muçulmanos, acreditam que os EUA devem honrar seus compromissos internacionais e, em geral, são membros normais de um partido político normal. A grande maioria dos republicanos, porém, é insana e apoia Trump.

Na verdade, uma vitória de Hillary significaria a continuação de um governo de centro-esquerda como o de Barack Obama, o que seria uma grande decepção para os que querem uma virada à direita. E muitas pessoas estão convencidas de que, ideologia à parte, Hillary será uma governante ruim. Obviamente, discordo com relação à ideologia e creio que há muito coisa a se admirar na candidata.

Mas não importa: mesmo que você seja um conservador que deteste Hillary, como justifica sua opção por Trump? Ou então, há alguma razão para acreditar que uma vitória de Hillary seria um desastre irrecuperável? Você, como republicano, provavelmente, acha que as políticas de centro-esquerda – impostos maiores para rendas mais altas, uma grande expansão subsidiada do seguro-saúde, regulamentação financeira mais rígida – são ruins para a economia. Mas, mesmo que entenda que a economia sob Obama deveria ter sido melhor, o fato é que, durante seu governo foram criados mais 11 milhões de empregos, o valor das ações subiu, a inflação e os juros permaneceram baixos.

De modo que não é um desastre e não há razão para acreditar que a economia sob um governo Hillary seria um desastre. Por outro lado, Trump tem se referido a cortes de impostos irresponsáveis e em romper acordos comerciais. O resultado é que, mesmo que você não aprecie Hillary, é difícil entender como pode considerar uma possível vitória dela um horror. A disposição de algumas pessoas de apoiar Trump é compreensível, mas também desprezível. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

É GANHADOR DO NOBEL DE ECONOMIA DE 2008

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