Análise: Parem de tentar agradar a Trump

Vocês têm de se perguntar porque vacilam e procuram justificar seu apoio a Trump

Redação Internacional

04 Agosto 2016 | 05h00

Frank Bruni
The New York Times

John McCain, Paul Ryan, Mitch McConnell e todos vocês: parem de dizer que Donald Trump não os representa, pois ele os representa sim. Ele é o candidato indicado por seu partido e com seu apoio. Enquanto não retirarem esse apoio, ele tem sua bênção. Se continuam a desculpá-lo e a priorizar sua sobrevivência política em detrimento da estabilidade do país, ele acabará representando todos nós. Digam-me que isso realmente não os aterroriza. E façam isso seriamente.

Senador McCain e deputado Ryan, ele acabou de dar um novo motivo para uma deserção, ao afirmar ao Washington Post que não apoia vocês em suas respectivas primárias republicanas. Do ponto de vista da tradição, isso é chocante. Da perspectiva de Trump, nem tanto. Vocês o reprovaram (moderadamente). Agora, ele os insulta.

Vocês têm de se perguntar porque vacilam e procuram justificar seu apoio a Trump diante do seu petulante e gratuito ataque aos pais muçulmanos do soldado que morreu combatendo pelos EUA. Ou porque tantos líderes republicanos também foram evasivos após o ataque gratuito e petulante que ele fez contra um juiz mexicano-americano.

Trump não tem dignidade. Tem acessos de cólera e ameaçá-lo de um isolamento que nunca ocorre só o incentiva. Quanto mais é desculpado, pior se comporta. Não apenas vocês, mas todos nós continuamos a dar um sentido histórico à sua candidatura e a tentar enquadrá-lo num sistema pré-existente. Nós o chamamos de demagogo e fascista, mas tenho dúvidas de que esses termos são consistentes ou tenham peso necessário no caso dele.

Afirmamos que ele é um político que é contra o establishment e isso é um erro. Trump veio de uma família rica. Frequentou colégios da Ivy League. Enviou seus filhos para internatos elegantes. Ele é a elite poderosa. O que estamos vendo agora é um candidato de um partido importante que é um descarado e mentiroso, descontrolado e com uma visão de mundo formada pelo que e por quem o agrada.

Trump já vem dando a seus partidários licença para fazer o que desejarem. Além disso, não há um ponto em que os princípios devem prevalecer? Não há limites para o interesse pessoal? Pergunto isso não em favor de Hillary Clinton, mas preocupado com os EUA, que necessitam de um adulto que honre nossos valores e não um pirralho que vai destruí-los. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

É COLUNISTA