Apesar de nomeação, eleitores de Sanders mantêm resistência

Partidários de senador ignoram pedidos de unidade e tendem a não votar na candidata do Partido Democrata

Redação Internacional

26 de julho de 2016 | 21h38

Cláudia Trevisan
Enviada Especial / Filadélfia, EUA

Poucas horas depois de Bernie Sanders declarar seu apoio a Hillary Clinton na convenção do Partido Democrata, seus partidários voltaram a marchar pelas ruas da Filadélfia com cartazes e palavras de ordem resumidas em “Nunca Hillary” e “Bernie ou exploda”. Em comum aos que se manifestavam, estava a promessa de que não votarão na candidata em novembro.

Na noite anterior, Sanders tentou convencer seus eleitores a se unirem à campanha da ex-adversária no discurso que realizou a milhares de delegados reunidos no encontro do partido. Quando subiu ao palco, o senador foi ovacionado por três minutos, ao fim de um dia que havia sido marcado por vaias de seus seguidores a cada menção do nome de Hillary.

“Essa eleição tem de ser sobre unir as pessoas, não dividi-las”, afirmou. “Enquanto Donald Trump está ocupado insultando um grupo depois do outro, Hillary Clinton entende que nossa diversidade é uma de nossas grandes fortalezas”, declarou Sanders a seguidores que protagonizaram um dia de fúria contra a candidata no primeiro dia da convenção democrata, na Filadélfia. “Hillary Clinton tem de se tornar a próxima presidente dos EUA.”

O apelo não comoveu os irmãos gêmeos John e James Williams, de 19 anos, que prometeram continuar a “revolução” iniciada por Sanders. Ambos tendem a votar em novembro na candidata do Partido Verde, Jill Stein. “A mudança tem de ocorrer agora e Hillary não representa essa mudança”, declarou James.

Em sua opinião, a democrata pode ser mais “perigosa” na presidência do que Trump. Para justificar sua posição, ele menciona o apoio de Hillary à guerra do Iraque, às sanções impostas ao Irã e à posição da ex-secretária de Estado em relação à Líbia.

A expectativa da campanha de Hillary é a de que a convenção – e o tempo – ajude a reduzir a insatisfação dos que votaram em Sanders nas primárias e os traga para o lado da candidata. “É um processo. Quando você trabalha duro por uma causa – e eu estive nessa posição em 2008 – é preciso um processo para você mudar de marcha”, disse Karen Finney, porta-voz da campanha de Hillary. Em 2008, a atual candidata perdeu a disputa dentro do Partido Democrata para o atual presidente, Barack Obama.

No entanto, o vazamento de e-mails que mostram integrantes do Comitê Nacional Democrata atuando em favor da candidatura de Hillary – e contra a de Sanders – agravou o ressentimento dos seguidores do senador em relação a um sistema eleitoral que consideram “corrupto”. Para eles, a ex-secretária de Estado não ganhou as primárias, mas as “roubou” com a ajuda de regras que beneficiam o establishment do partido.

“Esta eleição não é sobre Bernie Sanders ou Hillary Clinton. É sobre democracia”, afirmou Max Hara, que viajou da Califórnia à Filadélfia para manifestar apoio ao senador. De acordo com ele, eleitores independentes não puderam votar nas primárias em pelo menos cinco Estados e houve problemas no dia de votação em várias cidades.

As amigas Susan Northleaf e Marie Adams, do Colorado, protestavam ontem na Filadélfia usando brincos com o nome do senador Bernie Sanders. Susan disse que votará na candidata do Partido Verde. Marie está indecisa.

“Tenho quatro meses para decidir. Para mim, Trump seria o Hitler da América.” Sua amiga estava menos apreensiva com a possibilidade de vitória do republicano. “Nós sobrevivemos a oito anos de (George W.) Bush. Podemos sobreviver a Trump.”

 

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