Após encontro, presidente do México classifica políticas de Trump como grande ameaça

Após encontro, presidente do México classifica políticas de Trump como grande ameaça

Em entrevista na noite de quarta-feira, Enrique Peña Nieto afirmou que 'não ficará de braços cruzados' e 'sem fazer nada' diante do risco causado pelas propostas do candidato republicano à presidência dos EUA

Redação Internacional

01 de setembro de 2016 | 10h05

CIDADE DO MÉXICO – O presidente do México, Enrique Peña Nieto, classificou Donald Trump como uma ameaça ao país, pouco depois de mostrar uma imagem positiva em conversas entre os dois na quarta-feira, 31, para tentar diminuir tensões sobre a campanha retórica antimexicanos do candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos.

Peña Nieto saudou na tarde de quarta-feira como “aberto e construtivo” o encontro com Trump, que posteriormente se referiu ao líder mexicano como amigo e um “maravilhoso” presidente. Mas em uma entrevista televisionada na noite de quarta, o presidente mexicano buscou se defender contra amplas críticas por sua decisão de convidar o candidato republicano, apesar de repetidos ataques verbais contra o México.

Enrique Peña Nieto e Donald Trump dão entrevista juntos; líder mexicano foi criticado por não enfatizar publicamente sua oposição às propostas do republicano (Foto: EFE/JORGE NUÑEZ)

Enrique Peña Nieto e Donald Trump dão entrevista juntos; líder mexicano foi criticado por não enfatizar publicamente sua oposição às propostas do republicano (Foto: EFE/JORGE NUÑEZ)

“Suas posições políticas podem representar uma grande ameaça ao México, e não estou preparado para ficar de braços cruzados e não fazer nada”, disse Peña Nieto. “Este risco, esta ameaça, devem ser confrontados. Eu disse a ele que esta não é a maneira de construir uma relação benéfica mútua para ambas nações”.

A rápida aceitação de Trump para um convite enviado na sexta-feira tomou o governo do México de surpresa, e sua visita à Cidade do México ocorreu algumas horas antes de um importante discurso sobre imigração, à medida que busca diminuir a vantagem da rival democrata, Hillary Clinton, nas pesquisas. Hillary, aliás, também foi convidada para um encontro com o presidente mexicano, mas ainda não respondeu

As acusações de Trump de que o México envia estupradores e traficantes aos Estados Unidos, e suas ameaças de construir um muro na fronteira e quebrar acordos comerciais, irritaram o governo, mas seu encontro com Peña Nieto na quarta-feira lhe deu a chance de se apresentar com tom mais moderado.

Ele falou sobre mexicanos-americanos em bons termos e destacou áreas de interesse comum entre os dois países, mesmo enfatizando a mensagem de que irá construir um muro.

Peña Nieto havia comparado Trump a ditadores como Adolf Hitler e Benito Mussolini anteriormente neste ano. Mas seu governo informou que Trump entendeu as preocupações no encontro, tornando a tensa aparição de Peña Nieto na TV ainda mais surpreendente.

Na noite de quarta-feira, em discurso em Phoenix após o encontro com o líder mexicano, Trump falou sobre uma série de medidas para diminuir a imigração ilegal.  Ele disse a uma multidão que o México deveria pagar “100 por cento” pelo muro e que caso ganhe a eleição, todos que moram ilegalmente nos Estados Unidos serão enviados de volta ao país natal. Isto iria refletir na saída de milhões de mexicanos dos EUA.

“Vamos construir um grande muro na fronteira sul”, disse Trump. “O México vai pagar pelo muro, acreditem, 100%. Ainda não sabem disto (…), são gente grandiosa e líderes grandiosos, mas vão pagar pelo muro.” / REUTERS, AFP e EFE

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