Após série de críticas, equipe de Trump investe em plano de contenção de danos

Após série de críticas, equipe de Trump investe em plano de contenção de danos

Campanha de milionário divulga time de conselheiros econômicos de eventual governo; candidato faz mea-culpa e diz que se equivocou sobre imagens segundo às quais os EUA teriam pagado resgate pela libertação de 5 prisioneiros americanos

Redação Internacional

05 Agosto 2016 | 21h09

WASHINGTON – Em aparente estratégia para conter os danos causados pelo candidato Donald Trump, a campanha republicana revelou nesta sexta-feira, 5, a equipe econômica que comporá um eventual governo do magnata. Ao mesmo tempo, os assessores de Trump reforçaram o papel do vice, Mike Pence, como figura escalada para apagar incêndios, após sucessivos ataques do magnata que não pouparam nem colegas de partido.

O jornal Washington Post destacou que se trata de uma equipe de bilionários investidores e homens de negócio que atuarão como conselheiros econômicos, composta por 13 homens e nenhuma mulher. O jornal destacou que a escolha leva nomes de peso para a campanha de Trump, mas também pode afetar seu “apelo populista” à classe média americana.

Republican presidential candidate Donald Trump (R) and vice presidential candidate Mike Pence speak in an overflow room at a campaign event in Roanoke, Virginia, U.S. July 25, 2016.  REUTERS/Carlo Allegri/File Photo

Mike Pence (E) ao lado de Donald Trump; missão de apagar incêndios. Foto: REUTERS/Carlo Allegri

O Post destacou ainda que há seis nomes “Steve” na equipe e apenas um acadêmico – Peter Navarro, da Universidade da Califórnia, especializado em negócios com a China. A agência Associated Press destacou o nome de John Paulson, um bilionário do fundo de hedge, que fez fortuna apostando contra hipotecas de alto risco quando a economia americana caminhava para o colapso, em 2007.

No mesmo comunicado, Trump afirmou que apresentará seu plano para “impulsionar a economia” na segunda-feira. A iniciativa veio à tona após uma série de apelos dentro do partido para que Trump mude o rumo de sua campanha, marcada por uma série de polêmicas que o fez cair nas pesquisas.

O anúncio também tentou dividir a atenção com o último relatório do governo americano, divulgado ontem. Segundo ele, o emprego no país aumentou mais do que o esperado em julho e a renda avançou, o que deve reforçar as expectativas de aceleração do crescimento econômico este ano.

Ao comentar os novos números da economia, a candidata democrata, Hillary Clinton, disse que o presidente Barack Obama não está reivindicando todo o crédito que merece por “conduzir a nação para superar uma recessão paralisante”.

Na estratégia republicana, a campanha conta com um nome importante, o de Pence. Em seu papel de apaziguador, ele já analisa uma “lista” de veículos de mídia evitados por Trump, dizendo que a campanha está debatendo uma mudança de rumo. No domingo, enquanto o magnata trocava farpas com os pais do capitão Humayun Khan, Pence emitiu um comunicado louvando o militar, que chamou de “herói americano”.

Na quarta-feira, Pence ofereceu seu apoio à reeleição do presidente da Câmara dos Deputados, Paul Ryan, que ocupa o mais alto cargo eletivo entre os republicanos, depois de Trump enfurecer muitos líderes partidários por se recusar a fazê-lo. A campanha informou que o magnata reveria sua posição ontem.

Irã. Ainda hoje, Trump admitiu que se equivocou a respeito das imagens de vídeo às quais fez referência ao afirmar que Washington pagou US$ 400 milhões ao Irã como resgate para obter a libertação de cinco prisioneiros americanos.

Em um mea-culpa pouco habitual, ele disse que se equivocou sobre as imagens que mencionou em um comício na Flórida que, segundo ele, seria do momento em que o “dinheiro era descarregado de um avião”.

O caso foi energicamente negado pelo Departamento de Estado e pelo presidente Obama, que asseguraram que se tratou de um pagamento em função de uma antiga disputa comercial, dentro do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano. / REUTERS, AP e W. POST