Área de Defesa será desafio para novo líder

Área de Defesa será desafio para novo líder

Setor tem orçamento robusto, mas problemas nas metas e com pagamento de benefícios

Redação Internacional

06 de novembro de 2016 | 05h00

Roberto Godoy

Em 2017, os EUA gastarão cerca de US$ 583 bilhões no orçamento da Defesa, cerca de 40% do total das despesas militares feitas pelo restante do mundo. A previsão contabiliza as despesas do ano. Ficam de fora os programas de desenvolvimento.

O país mantém na tropa pronta 1,492 milhão de homens e mulheres, reforçados por mais um milhão de reservistas de primeira linha. Tem mais aviões, drones, navios, porta-aviões, tanques, blindados, canhões e mísseis de todos os tipos que a soma dos arsenais das outras quatro maiores potencias – China, Reino Unido, França e Rússia.

F-15 da Força Aérea americana sobrevoa o Grand Canion

F-15 Eagle da Força Aérea americana sobrevoa o Grand Canyon durante exercício

O estoque nuclear de quase 7 mil ogivas e bombas pode promover destruição em escala planetária. Não obstante a musculatura exuberante, o setor atravessa uma crise grave. O governo de Barack Obama é fustigado pela oposição por reduzir os investimentos no setor.

Ainda assim, o tema foi tocado apenas superficialmente durante a campanha eleitoral. Donald Trump e Hillary Clinton limitaram-se a tratar o assunto por meio de conceitos universais, prometendo “apoio às Forças Armadas” e “resgate do poder da América”.

Há grandes problemas no horizonte, no entanto. Dinheiro, é um deles. Na abertura da próxima legislatura, a pauta do Congresso terá de incluir no debate a manutenção e, talvez, a expansão, do pacote de benefícios sociais oferecido aos militares. O serviço nos EUA é voluntário. O Pentágono disputa mão de obra com a iniciativa privada e para garantir o recrutamento oferece de bolsas de estudos, extensivas às famílias, e pensões vitalícias. Há também um vasto leque de benefícios.

Detalhes. A guerra ao terror receberá dotações de US$ 7,5 bilhões e o reforço de posições na Europa, outros US$ 3,4 bilhões, para “fazer frente às agressões da Rússia”, segundo o secretário da Defesa, Ashton Carter. O Pentágono está destinando US$ 1,8 bilhão para a compra de 45 mil bombas guiadas e mísseis de ataque leve. A encomenda destina-se à reposição no curto prazo das reservas comprometidas por 18 meses de campanha aérea contra os movimentos terroristas – a prioridade é o Estado Islâmico.

Na área de campo, as pendências começam no envelhecimento da frota de aviões de combate e chegam à modernização da família de bombas nucleares B-61, de emprego tático. Embora definidas como de médio porte, são até 17 vezes mais potentes que a arma lançada sobre Hiroshima, há 71 anos, em agosto de 1945.

Apenas a manutenção da capacidade atômica – mísseis intercontinentais, submarinos estratégicos e sistemas diversos – custará US$ 25 bilhões. Nessa soma não estão novos recursos em fase de aquisição.

Na Força Aérea, a opção foi a de suspender a produção do sofisticado F-22 Raptor, o caça ‘invisível’ mais avançado dos Estados Unidos. A alternativa é a modernização tecnológica dos grandes F-15 Eagle.

Plataforma. As campanhas de Hillary Clinton e Donald Trump apresentam propostas, no geral, pouco claras sobre a área de Defesa. O republicano é o mais direto em relação a ações como o aumento do contingente ativo do Exército e a criação de novos batalhões na Marinha, mas não explica em detalhes como pretende efetivamente aprovar tais medidas. Em seus discursos, Trump chegou a afirmar que países aliados contribuiriam financeiramente com os EUA para terem direito à mútua defesa assegurada.
A democrata tem bases ainda mais vagas, afirmando em seu programa de governo que trabalhará para “investir em inovação e capacitação” que permitam aos EUA “se prepararem para combater as ameaças do século 21”. Ela também dá ênfase à proteção social dos veteranos e das famílias dos militares mortos ou desaparecidos em combate.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.