Artigo: Meu plano para ajudar americanos pobres

Artigo: Meu plano para ajudar americanos pobres

A melhor maneira de apoiar as famílias afetadas com a recessão a se reerguer da pobreza é facilitar o acesso a empregos com bons salários

Redação Internacional

22 de setembro de 2016 | 05h00

Hillary Clinton
The New York Times

A verdadeira medida do sucesso de uma sociedade é seu cuidado com as crianças. Com todos os recursos dos EUA, nenhuma criança jamais deveria crescer na pobreza. Mas, todas as noites, em todos os Estados, há crianças indo dormir com fome ou sem um lugar para chamar de lar.

Temos de melhorar. A defesa das crianças e famílias é uma causa que defendi a vida toda, desde meu primeiro emprego como jovem procuradora do Fundo de Defesa da Criança, e, se me for concedida a honra de servir como presidente, essa será a missão que impulsionará meu governo.

A boa notícia é que estamos progredindo, graças ao trabalho duro do povo americano e do presidente Barack Obama. A proporção global de pessoas vivendo na pobreza foi reduzida pela metade nas décadas mais recentes. Nos EUA, um novo relatório do Escritório Censitário revelou que, em 2015, o número de pobres teve queda de 3,5 milhões de pessoas em relação ao ano anterior.

A renda média teve alta de 5,2% – o crescimento mais rápido já registrado. Lares em todas as faixas de renda foram beneficiados com ganhos, e o maior impacto positivo incidiu justamente naqueles que mais enfrentam dificuldades. O relatório censitário deixa claro que, quando o trabalhador americano recebe um pequeno empurrão – como os cupons de alimento e o seguro saúde, graças à Lei do Atendimento Acessível – ele consegue se erguer da pobreza.

Mas não podemos nos iludir: ainda há trabalho a fazer. Famílias em todo o país ficaram devastadas com a grande recessão. Quase 40% dos americanos com idade entre 25 e 60 anos vão vivenciar um ano de pobreza em algum momento de suas vidas. A melhor maneira de ajudar as famílias a se reerguer da pobreza é facilitar o acesso a empregos com bons salários.

Como presidente, uma de minhas prioridades será aumentar o crescimento econômico de maneira robusta, justa e duradoura. Trabalharei com democratas e republicanos para fazer um investimento histórico em empregos que ofereçam bons salários – empregos na área de infraestrutura e manufatura, tecnologia e inovação, pequenas empresas e energia limpa. E precisamos garantir que esse trabalho duro seja recompensado com o aumento do salário mínimo e, finalmente, a garantia de igualdade salarial para as mulheres.

Se quisermos tratar a pobreza com a devida seriedade, precisaremos também de um compromisso nacional com a criação de moradias mais acessíveis. Essa questão recebe pouca atenção durante as eleições, mas o tema é importante para os 11,4 milhões de lares americanos que gastam mais da metade de sua renda com o aluguel. Há muita gente deixando de poupar para os filhos ou a aposentadoria simplesmente para manter um teto sobre as cabeças de sua família.

Meu plano expandiria os Créditos Fiscais Imobiliários para Lares de Baixa Renda em áreas de custo mais alto para aumentar a oferta de moradia acessível, e estimular o desenvolvimento mais amplo da comunidade. Assim, no caso das famílias que moram em cidades caras, seria possível encontrar um lugar acessível para chamar de lar e aproveitar serviços como o transporte necessário para se chegar a bons empregos e escolas de qualidade.

Também precisamos garantir que nossos investimentos cheguem às comunidades que mais sofrem com décadas de abandono. Temos de reconhecer que, apesar da queda geral na pobreza, a pobreza extrema aumentou. Tim Kaine e eu vamos criar uma estratégia de combate à pobreza inspirada no plano 10-20-30 de Jim Clyburn, dedicando 10% do investimento federal a comunidades onde 20% da população vive abaixo da linha da pobreza há 30 anos. E daremos ênfase especial às comunidades de minorias que há muito são impedidas de avançar pelas barreiras do racismo sistêmico.

Como presidente, continuarei o trabalho de toda a minha vida com foco na criação de oportunidades para crianças e justiça para as famílias. Precisamos expandir o acesso a creches de qualidade e garantir a licença remunerada para que pais de todos os níveis de renda possam equilibrar seus empregos e suas vidas. E vamos trabalhar para dobrar os investimentos no programa Early Head Start (“começo antecipado”) e tornar a pré-escola disponível para todos a partir de 4 anos porque nossas crianças merecem o melhor começo possível para suas vidas.

Donald Trump tem uma abordagem diferente. Ele divide os americanos em vencedores e perdedores. E não parece passar muito tempo preocupado com as pessoas na pobreza. Na verdade, seus planos econômicos beneficiariam principalmente os americanos mais ricos, e incluiriam um corte calculado em US$ 4 bilhões nos impostos pagos por sua família simplesmente com a eliminação do imposto sobre patrimônio herdado. Chegou até a dizer que os salários são altos demais.

Uma análise econômica independente revelou que, com a implementação das propostas de Trump, nossa economia voltaria à recessão e, inevitavelmente, mais famílias seriam jogadas na pobreza.
Em novembro, o povo americano terá de escolher entre uma economia que funciona para todos e uma economia que beneficia aqueles em boa situação à custa de todos os demais. A escolha não poderia ser mais clara. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

É CANDIDATA DEMOCRATA À CASA BRANCA

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