Artigo: Que tal uma monarquia, EUA?

Artigo: Que tal uma monarquia, EUA?

Diante das opções nas urnas, os americanos podem estar pensando que talvez fosse melhor ter um rei ou rainha como chefe de Estado

Redação Internacional

08 de novembro de 2016 | 05h00

Nikolai Tolstoy
THE NEW YORK TIMES

Como estrangeiro com dupla nacionalidade, britânica e russa, não me cabe comentar em profundidade os méritos dos candidatos que disputam a presidência dos EUA. Mas parece não haver dúvidas de que nenhum dos dois seja um Washington ou um Lincoln, e o vencedor vá ficar sob agudo e crescente escrutínio.

Imagino que quase todos os americanos acreditem que seu chefe de Estado deva ser eleito pelo povo. Mas, neste momento de inquietação, eles podem bem estar se perguntando se, apesar de todo o discernimento dos pais fundadores, seu sistema republicano os esteja mesmo levando para essa prometida “união perfeita”.

Britain's Queen Elizabeth arrives for a Service of the Order of the Bath at Westminster Abbey in London May 9 , 2014. The service is held every four years and attended by the Prince of Wales, while the Queen also attends every second service. The Queen last attended in 2006. REUTERS/Luke MacGregor (BRITAIN - Tags: RELIGION ROYALS ENTERTAINMENT SOCIETY)

Rainha Elizabeth II em cerimônia no Palácio de Westminster; monarca assumiu o trono há 64 anos atrás

Nossos primos americanos só precisam olhar para seu vizinho do norte, o feliz Canadá, para encontrar uma nação que tem como chefe de Estado um monarca hereditário.

A história moderna da Europa mostra que os países que têm a sorte de ter um rei ou rainha como chefe de Estado tendem a ser mais estáveis e mais bem governados que a maioria das repúblicas do continente. Pelo mesmo motivo, ditadores demagogos se mostram renitentemente hostis à monarquia: a instituição representa uma perigosa e adorada alternativa a suas ambições.

Para sermos honestos com a influência “americana e da modernização”, uma avaliação semelhante levou o presidente Harry S. Truman e o general Douglas MacArthur a preservarem a monarquia japonesa após a 2.ª Guerra. A decisão permitiu a rápida e notável evolução do Japão para uma sociedade próspera, pacífica e democrática.

Defensores convictos da República sem dúvida argumentarão que governantes hereditários podem igualmente ser doidos ou ruins. Mas as democracias também têm dinastias.

Os EUA podem ter se livrado do jugo do rei George III, mas os americanos escolheram ser governados por George Bush II. Os redatores da Constituição americana foram, sem dúvida, homens de visão e capacidade de julgamento. Mas não detinham o monopólio dessas qualidades. Do outro lado do Atlântico, pensadores igualmente notáveis argumentam que uma monarquia é inerentemente mais estável.

Nenhum estadista britânico apoiou mais a causa das colônias que Edmund Burke. E nenhum foi mais eloquente na defesa dos benefícios da monarquia. Segundo ele, a hereditariedade é um meio seguro de preservação e transmissão de poder, sem excluir o aprimoramento das instituições. Uma monarquia, em outras palavras, proporciona à ordem política um elemento vital de continuidade que permite reformas graduais.

Um contemporâneo deles, o historiador Edward Gibbon, avaliou os sistemas rivais e decidiu, com sua característica acidez, pela soberania hereditária. “Podemos facilmente vislumbrar formas imaginárias de governo nas quais o cetro vá sempre para o mais capaz por meio do voto livre e incorruptível de toda a comunidade”, escreveu ele.

“Mas a experiência acaba extinguindo essas miragens.” A vantagem da monarquia é que ela “acaba com as esperanças das facções” ao pairar acima do partidarismo tóxico de grupos que disputam o poder. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

É CHANCELER DA LIGA MONARQUISTA INTERNACIONAL, HISTORIADOR E
ROMANCISTA

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