Assad diz que Trump será aliado natural da Síria se combater o terrorismo

Assad diz que Trump será aliado natural da Síria se combater o terrorismo

Em entrevista à RTP, presidente sírio rejeita ingerência dos EUA na Síria

Redação Internacional

16 de novembro de 2016 | 05h00

DAMASCO – O presidente sírio, Bashar Assad, declarou que o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, será “um aliado natural” se lutar contra o terrorismo, segundo entrevista transmitida nesta terça-feira à noite pela emissora pública portuguesa RTP.

“Não podemos dizer nada do que ele vai fazer, mas vamos dizer que, se ele vai lutar contra o terrorismo, é claro que vamos ser aliados, aliados naturais da mesma maneira que somos dos russos, dos iranianos e de muitos outros países que querem derrotar o terrorismo”, afirmou Assad à RTP.

FILE - In this Wednesday, Sept. 21, 2016 photo released by the Syrian Presidency, Syrian President Bashar Assad speaks to The Associated Press at the presidential palace in Damascus, Syria. The House on Nov. 15, overwhelmingly approved bipartisan bills to crack down on supporters of Syrian President Bashar Assad’s government and renew a decades-old Iran sanctions law. Swift passage underscored broad support on Capitol Hill for punishing financial backers of the Syrian government and maintaining economic pressure on Tehran.(Syrian Presidency via AP)

Assad questiona se Trump realmente conseguirá cumprir promessas de campanha

No termo “terrorismo”, o regime de Damasco inclui todos os grupos armados que lhe são hostis, tanto os considerados moderados, quanto os extremistas, como o Estado Islâmico (EI), que controla amplas zonas da Síria.

Questionado sobre as declarações de Trump segundo as quais ele considera que na Síria é prioritária a luta contra o EI, Assad disse:”Obviamente, promete, mas poderá cumpri-lo? Poderá agir neste sentido? O que acontecerá com as forças que se opõem em seu governo e com a tendência dominante midiática contra ele?”, perguntou Assad.

“É por isso que ainda temos dúvidas sobre se poderá cumprir suas promessas”, advertiu.
Em entrevista publicada no sábado no Wall Street Journal, Trump tinha sugerido que era preciso lutar mais contra o EI. E se atacassem Assad, no fim das contas os Estados Unidos “acabariam lutando contra a Rússia”, aliada de Damasco.

“O EI representa uma ameaça maior contra nós do que Assad”, disse Trump ao jornal The New York Times em julho.

Na entrevista, Assad insistiu em seu repúdio a qualquer ingerência dos Estados Unidos na Síria.
“Há 50 anos os Estados Unidos intervêm (em assuntos de outros países) e, de fato, só serve para criar problemas e não para resolvê-los”, ressaltou.

Ao ser questionado sobre o próximo secretário-geral da ONU, António Guterres, o presidente Assad afirmou, “as Nações Unidas não são o secretário-geral, mesmo que tenha uma posição importante”, mas, sim, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança.

“Se você me pergunta ‘o que espero de uma nova autoridade em uma posição tão importante’, lhe diria duas coisas: a primeira, que seja objetivo (…) e a segunda (…), que não transforme seu gabinete em uma sucursal do Departamento de Estado americano”, afirmou.

Durante a entrevista, Assad criticou duramente o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, cujo país defende os rebeldes sírios, e o qualificou de “doente, megalômano e instável”. “Ele vive fora da realidade”, concluiu.

A guerra na Síria deixou mais de 300 mil mortos desde 2011, quando o conflito começou com a repressão sangrenta dos protestos populares contra o regime de Assad. A oposição síria, por sua vez, pediu apoio a Trump para proteger os civis e encerrar o “banho de sangue” no país. / AFP

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