Assim que assumir, Trump anunciará abandono da Parceria Trans-Pacífico

Assim que assumir, Trump anunciará abandono da Parceria Trans-Pacífico

Em vídeo, presidente eleito diz que pretende usar decretos em seu primeiro dia na presidência para realizar mudanças em seis áreas, como comércio internacional e imigração

Redação Internacional

21 de novembro de 2016 | 23h39

Cláudia Trevisan
CORRESPONDENTE / WASHINGTON

Donald Trump pretende usar seu primeiro dia como presidente dos EUA para oficializar a intenção de seu governo de abandonar a Parceria Trans-Pacífico (TPP), acordo comercial que reúne 40% do PIB global. Sua medida inicial na área de imigração será menos drástica que suas propostas de campanha e será centrada na investigação de irregularidades na concessão de vistos de trabalho.

Em vídeo divulgado nesta segunda-feira à noite por sua equipe de transição, Trump disse que pretende usar decretos no primeiro dia de seu governo para realizar mudanças imediatas em seis áreas: comércio internacional, regulações, segurança nacional, imigração, energia e ética. Segundo o presidente eleito, o TPP, que tem caráter multilateral, será substituído por acordos bilaterais “justos”, a serem negociados com países específicos.

FILE - In this Nov. 20, 2016 file photo, President-elect Donald Trump waves as he arrives at the Trump National Golf Club Bedminster clubhouse in Bedminster, N.J. Thousands of high school students from Seattle to Silver Spring, Md., have taken to the streets since Trump's election to protest his proposed crackdown on illegal immigration and his rude comments about women. (AP Photo/Carolyn Kaster, File)

Medida anunciada por Trump sobre imigração não fala em deportação ou construção de muro. Foto: Carolyn Kaster/AP

No combate à corrupção, Trump prometeu impor a proibição de que ocupantes de cargos públicos trabalhem como lobistas por um período de cinco anos depois de saírem do governo. O veto será vitalício para a defesa de interesses de governos estrangeiros.

A primeira medida na área de imigração não está relacionada à deportação de imigrantes ilegais nem à construção de um muro na fronteira com o México. A única decisão anunciada nesta segunda-feira é a investigação de abusos na concessão de vistos de trabalho a estrangeiros.

Na área de segurança nacional, o presidente eleito disse que pedirá a elaboração de um plano para a proteção da infraestrutura do país de ataques cibernéticos e convencionais. Essa já é um prioridade do governo de Barack Obama, que lançou em fevereiro um plano de ação em segurança cibernética.

Trump disse ainda que revogará restrições à produção de energia para permitir a exploração de gás de xisto e de carvão limpo, que usa tecnologia para reduzir a emissão de gases que provocam efeito estufa. A produção de gás de xisto teve um boom durante o governo Obama, mas diminuiu em razão da queda do preço internacional do petróleo, que tirou sua competitividade.

O presidente eleito prometeu também limitar a interferência do governo na economia e disse que a adoção de cada nova regulação terá de levar à revogação de duas regulações existentes. “Seja produzindo aço, montando carros ou curando doenças, eu quero que a próxima geração de produção e inovação aconteça exatamente aqui, na nossa grande pátria, América, criando riqueza e empregos para os trabalhadores americanos”, disse Trump no vídeo.

Putin. A complexidade dos desafios que o presidente eleito terá na política externa ficou evidente nesta segunda-feira com a declaração do presidente russo, Vladimir Putin, de que seu país adotará medidas preventivas contra países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Isso abrange a possibilidade de disparo de mísseis contra alvos que Moscou veja como uma ameaça a sua segurança.

As declarações foram dadas por Putin em entrevista ao cineasta americano Oliver Stone, no momento em que os EUA realizam a transição de um governo visto como hostil por Moscou para um chefiado por Trump. Durante a campanha, o presidente eleito elogiou Putin, colocou em dúvida os compromissos de Washington com a Otan e prometeu melhorar o relacionamento com a Rússia.

A relação entre Washington e Moscou se deteriorou após a invasão da Ucrânia e da anexação da Crimeia pelos russos, em 2014. O Kremlin é contra a expansão da Otan em direção às ex-repúblicas soviéticas e se opõe à instalação de um escudo antimíssil no Leste da Europa.

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