Atuação em debate dá mais força a democrata

Vantagem de Hillary deve se refletir nas próximas pesquisas, mas efeito é limitado

Redação Internacional

28 de setembro de 2016 | 05h00

Cláudia Trevisan
Correspondente / Washington

O bom desempenho da candidata democrata, Hillary Clinton, no primeiro debate da disputa presidencial americana poderá reverter sua queda nas pesquisas eleitorais e dar a ela o impulso necessário para recuperar a liderança em uma corrida que está virtualmente empatada, segundo a maioria dos levantamentos.

Mas o efeito pode ter curta duração. Em outubro, os candidatos voltarão a se enfrentar em mais dois debates, os últimos antes da eleição de 8 de novembro. Vencedora do confronto de segunda-feira de acordo com pesquisas e análises de comentaristas políticos, Hillary celebrou sua atuação e disse que está ansiosa para participar dos próximos enfrentamentos com o adversário republicano Donald Trump.

Democratic presidential nominee Hillary Clinton smiles as Republican presidential nominee Donald Trump speaks during the presidential debate at Hofstra University in Hempstead, N.Y., Monday, Sept. 26, 2016. (Rick T. Wilking/Pool via AP)

Os dois candidatos, durante o debate. Foto: Rick T. Wilking/AP

Em entrevista à Fox News ontem, o republicano afirmou que recebeu “perguntas hostis” do moderador, Lester Holt, e prometeu que irá “bater mais duro” em Hillary no próximo debate. Trump também disse que o jornalista não explorou algumas das principais fragilidades de Hillary, como sua decisão de usar um servidor privado de internet durante sua gestão no Departamento de Estado.

O candidato também afirmou que seu microfone estava “com problemas”, no que pareceu uma tentativa de justificar suas fungadas sonoras do início do debate. “Qualquer pessoa que reclama do microfone não está tendo uma boa noite”, disse Hillary.

Avaliação. “Trump demonstrou nervosismo, perdeu a calma e usou expressões faciais que indicavam desconforto”, disse o cientista político Alan Abramowitz, professor da Universidade Emory, para quem o republicano também revelou despreparo. “Linguagem corporal, aparência e tom importam nos debates. E, nesse caso, Clinton teve clara vantagem.”

Segundo Abramowitz, a grande maioria dos eleitores já escolheu um dos dois candidatos, mas o debate poderá mover as pesquisas em alguns pontos porcentuais, o que seria suficiente para dar a Hillary a liderança em Estados cruciais, como Pensilvânia e Flórida.

O principal efeito do debate, na opinião do analista, poderá ser registrado entre eleitores inclinados a votar no libertário Gary Johnson ou na candidata do Partido Verde, Jill Stein, que poderiam optar por Hillary.

O cientista político Arthur Lupia, professor da Universidade de Michigan, lembrou que candidata democrata teve duas semanas ruins antes do debate, período no qual perdeu sua vantagem nas pesquisas eleitorais. Há dez dias, ela disse que metade dos eleitores de Trump era “deplorável”. Pouco depois, apareceu cambaleando em um evento em memória das vítimas do 11 de Setembro.

Seus assessores foram obrigados a admitir que ela estava com pneumonia e manteve o diagnóstico em segredo por dois dias. A informação serviu para a militância de Trump aumentar os ataques à rival por “falta de transparência”.

“O debate foi provavelmente a maior audiência que ela já teve”, ressaltou Lupia. O evento foi assistido por cerca de 80 milhões de pessoas, um recorde da história dos debates presidenciais americanos. “Ela estava bem preparada e não cometeu nenhum erro, o que vai ajudar as pessoas que estão inclinadas a votar nela a se sentirem mais confiantes.”

Resultados. Em pesquisa da CNN, 62% dos entrevistados afirmaram que Hillary ganhou o debate. Apenas 27% viram Trump como vencedor. Levantamento do site FiveThirtyEight, especializado na análise de pesquisas eleitorais, mostrou que há uma relação histórica entre a avaliação do debate o resultado de pesquisas. Isso indica que a preferência por Hillary deverá subir nos próximos levantamentos.

A democrata foi ajudada por uma série de erros de Trump, que não conseguiu apresentar uma justificativa convincente para não divulgar sua declaração de Imposto de Renda. Na discussão sobre o assunto, o bilionário reconheceu de maneira implícita que recolheu zero de impostos federais em determinados anos, o que seria sinal de sua esperteza.

Na tarde de segunda-feira, o Washington Post revelou que Trump teria utilizado sua fundação com isenção fiscal para receber dinheiro particular.

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