Bloomberg diz que Trump é vigarista e perigoso demagogo

Bloomberg diz que Trump é vigarista e perigoso demagogo

Durante convenção, ex-prefeito de Nova York põe em dúvida capacidade do candidato republicano de administrar bem os EUA

Redação Internacional

28 de julho de 2016 | 19h45

Cláudia Trevisan
ENVIADA ESPECIAL / FILADÉLFIA, EUA

Michael Bloomberg tem uma fortuna pelo menos quatro vezes maior que a de Donald Trump e durante 12 anos foi prefeito de Nova York, a cidade onde o candidato republicano à presidência dos EUA construiu seu império imobiliário. Ontem à noite, ele subiu ao palco da convenção democrata para apresentar uma imagem devastadora do bilionário, ao qual se referiu como um “vigarista” e um “perigoso demagogo”.

Sexto colocado na lista das pessoas mais ricas dos EUA, Bloomberg questionou o sucesso empresarial do republicano e disse que suas propostas econômicas serão um desastre para os EUA. “Ao longo de sua carreira, Trump deixou para trás um rastro bem documentado de falências, milhares de ações judiciais, acionistas furiosos, fornecedores que se sentiram enganados e clientes que se sentiram roubados”, disse em discurso na Filadélfia. “Trump diz que quer administrar a nação como administra seus negócios. Deus nos ajude.”

PHILADELPHIA, PA - JULY 27: Former New York City Mayor Michael Bloomberg delivers remarks on the third day of the Democratic National Convention at the Wells Fargo Center, July 27, 2016 in Philadelphia, Pennsylvania. Democratic presidential candidate Hillary Clinton received the number of votes needed to secure the party's nomination. An estimated 50,000 people are expected in Philadelphia, including hundreds of protesters and members of the media. The four-day Democratic National Convention kicked off July 25. Chip Somodevilla/Getty Images/AFP == FOR NEWSPAPERS, INTERNET, TELCOS & TELEVISION USE ONLY ==

O ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg, durante seu discurso na convenção democrata. Foto: Chip Somodevilla/AFP

Bloomberg já pertenceu aos partidos democrata e republicano e se tornou um independente no fim da década passada. Na noite de quarta-feira, ele se dirigiu aos que não se identificam com nenhum dos grandes partidos americanos – grupo que representa uma parcela crescente do eleitorado e será determinante para o resultado das eleições presidenciais de novembro.

“Sou de Nova York e nova-iorquinos reconhecem um vigarista quando veem um”, afirmou Bloomberg. “Há muita conversa nessa campanha sobre a necessidade de ter um líder que entenda de negócios. Eu não poderia concordar mais. Construí um negócio e não comecei com um cheque de US$ 1 milhão do meu pai”, ironizou o empresário, em referência à origem da fortuna do candidato republicano.

Mas ele deixou claro que não vê Trump como um exemplo de empreendedor. “A maioria de nós que criamos negócios sabemos que somos tão bons quanto nossos empregados, clientes e parceiros nos veem”, ressaltou. “E a maioria dos que temos nossos nomes na porta sabe que somos tão bons quanto nossa palavra. Mas não Donald Trump.”

Ciente da resistência de muitos independentes em relação a Hillary, Bloomberg reconheceu que não concorda com todas as posições da ex-secretária de Estado, mas afirmou que a candidata é a melhor escolha em novembro. “Temos de deixar nossas diferenças de lado pelo bem do nosso país. Devemos nos unir ao redor da candidata que pode derrotar um demagogo perigoso”, disse. “Não importa o que você pense sobre suas políticas ou trajetória, Hillary Clinton entende que isso não é reality television, isso é realidade.”

Em discursos realizados no fim da noite, o presidente Barack Obama e seu vice, Joe Biden, descreveram Trump como alguém em descompasso com valores fundamentais dos EUA.

“Não somos um povo frágil e assustado. Nosso poder não vem de um autoproclamado salvador que promete restaurar a ordem sozinho”, disse Obama, referindo-se slogan “lei e ordem” de Trump e à declaração de que só ele pode “consertar” o país.

O presidente disse não reconhecer os EUA no retrato apresentado pelo republicano na semana passada. “O que ouvimos é uma visão profundamente pessimista de um país no qual nós nos voltamos uns contra os outros e nos afastamos do restante do mundo. Não há nenhuma solução para nossos problemas urgentes – apenas a dispersão de ressentimento, recriminação, raiva e ódio.”

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