Brexit deve fortalecer retórica republicana na campanha

Separação deve ajudar o magnata Donald Trump a atrair eleitores que concordam com suas visões nacionalistas

Jéssica Otoboni

10 de julho de 2016 | 05h00

Jéssica Otoboni

A poucas semanas das convenções dos partidos Democrata e Republicano – que definirão os candidatos às eleições presidenciais dos EUA –, Donald Trump e Hillary Clinton precisam lidar com os efeitos do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

No momento atual da corrida à Casa Branca, o referendo britânico fortalece, de certa forma, a campanha do magnata. Para Michael Madowitz, economista do Center for American Progress, a separação britânica da UE “é potencialmente útil” para atrair os eleitores mais tradicionais do Partido Republicano, pois alguns partidários de Trump são favoráveis à ideia dele de tornar os Estados Unidos menos integrado com o restante do mundo.

Com uma retórica ultranacionalista e protecionista, o empresário cria inimigos em razão de promessas como a de construção de um muro na fronteira com o México e a de proibir a entrada de muçulmanos em território americano.

No entanto, Madowitz alerta para a instabilidade. “Se o sucesso do Brexit se tornar um grito de guerra que coloque a direita ainda mais à direita, ficará mais difícil governar”.

A questão não deve trazer consequências para os Estados Unidos de forma imediata, mas sim a longo prazo. “Estou preocupado que isso possa se tornar um exemplo a ser usado por candidatos extremistas para empurrar o eleitorado para mais longe do centro”, explica Madowitz.

Após o resultado do referendo, Trump divulgou uma declaração dizendo que “as pessoas do Reino Unido exerceram o direito sagrado de todas as pessoas livres” ao retomarem o controle sobre suas próprias políticas, fronteiras e economia. “Em novembro, o povo americano terá a chance de declarar novamente sua independência”, afirmou.

O economista explica que o tema não deve ganhar muito espaço nos discursos em comícios para tentar persuadir eleitores, mas destaca que a separação da União Europeia “é um exemplo do que realmente acontecerá se algumas políticas extremas de Trump forem adotadas”.

No caso de Hillary, a preocupação é evitar um colapso ainda maior já que, segundo Madowitz, ela tem um “longo histórico de promover a cooperação internacional”. Em depoimento sobre o referendo, ela disse que agora o primeiro desafio dos Estados Unidos é “garantir que a incerteza econômica criada por esses eventos não atinja as famílias trabalhadoras da América”.

Influência. Pesquisa realizada no fim de junho pelo jornal USA Today em parceria com a Suffolk University mostra que 26% dos partidários de Hillary acreditam que o Brexit prejudicará Trump e 40% deles não veem efeitos disso nas eleições. Entre os republicanos, 37% enxergam que a decisão beneficiará o bilionário e 5% acreditam que ela possa prejudicá-lo.

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