Campanha de Hillary e Trump avança pela madrugada

Campanha de Hillary e Trump avança pela madrugada

Democrata e republicano fazem maratona de comícios na tentativa de conquistar eleitores

Redação Internacional

07 de novembro de 2016 | 23h50

Cláudia Trevisan
ENVIADA ESPECIAL / NOVA YORK
Favorita para vencer hoje a disputa pela Casa Branca, Hillary Clinton encerrou sua campanha com um tom otimista, no qual os ataques a Donald Trump passaram a segundo plano para dar lugar à sua visão para os Estados Unidos. Em desvantagem, o republicano se manteve na ofensiva, acusou a adversária de corrupção e se referiu a ela em sucessivos discursos como “Hillary trapaceira”.

Em um ritmo frenético que se arrastou até a madrugada de hoje, os adversários fizeram seu último esforço de conquista dos eleitores, encerrando a mais agressiva e negativa campanha da história recente dos Estados Unidos.

ALLENDALE, MI - NOVEMBER 07: Democratic presidential nominee former Secretary of State Hillary Clinton speaks during a campaign rally at Grand Valley State University on November 7, 2016 in Allendale, Michigan. With one day to go until election day, Hillary Clinton is campaigning in Pennsylvania, Michigan and North Carolina. Justin Sullivan/Getty Images/AFP == FOR NEWSPAPERS, INTERNET, TELCOS & TELEVISION USE ONLY ==

Hillary faz comício na  Grand Valley State University, em Michigan, e diz que valores estão sendo testados

“Amanhã (hoje), vocês podem votar para uma América esperançosa, inclusiva e com grande coração”, afirmou Hillary em Pittsburgh, uma das duas paradas que faria durante o dia na Pensilvânia. “Nossos valores fundamentais estão sendo testados nesta eleição”, disse.

Retórica. As declarações eram uma rejeição implícita à retórica de Donald Trump, que ao longo de sua campanha prometeu deportar 11 milhões de pessoas que vivem de maneira irregular nos Estados Unidos, restringir a entrada de muçulmanos no país e suspender o programa de recebimento de refugiados da Síria.

Trump reforçou sua imagem de outsider com ataques às elites e ao sistema político americano e se apresentou como o único capaz de consertar um sistema supostamente quebrado. O candidato criticou a decisão do FBI de isentar Hillary de responsabilidade pelo uso de um servidor privado de internet no Departamento de Estado e descreveu o anúncio como uma evidência de corrupção em Washington.

A candidata democrata declarou que trabalhará para unificar os EUA caso seja eleita e afirmou que será a presidente de “todos os americanos. Em entrevista a uma emissora de rádio, ela disse que pretende telefonar para Trump caso seja vitoriosa hoje. Segundo Hillary, o republicano pode desempenhar “um papel construtivo” na reconciliação do país depois das eleições.

Ataques. Com ataques às elites políticas e à adversária, Trump não parecia disposto ao diálogo. “Nós nunca teremos outra oportunidade”, afirmou, em referência à própria candidatura. O bilionário adotou durante a campanha um discurso populista e personalista, no qual se apresenta como o outsider que pode enfrentar interesses estabelecidos em Washington.

Republican presidential nominee Donald Trump speaks at a rally at Lackawanna College in Scranton, Pennsylvania, on the final day of campaigning November 7, 2016. / AFP PHOTO / DOMINICK REUTER

Trump fala a simpatizantes no Lackawanna College em Scranton, Pensilvânia, e mantém ataques a Hillary

Hillary tinha eventos de campanha previstos em três campos de batalha cruciais para a definição do resultado da eleição: Pensilvânia, Carolina do Norte e Michigan, um território tradicionalmente democrata que viu uma ofensiva de Trump nos últimos dias.

A democrata planejava duas paradas na Pensilvânia, o “swing state” que tem o maior número de votos no colégio eleitoral depois da Flórida.

O republicano fez uma maratona por cinco Estados. Além de repetir os três visitados por Hillary, ele esteve em New Hampshire e na Flórida, o principal Estado em disputa, sem o qual suas chances de chegar à Casa Branca são virtualmente inexistentes.

Barack Obama. Nas últimas horas da campanha eleitoral, não foram apenas os candidatos que colocaram o pé na estrada. Parentes de ambos viajaram ao redor dos Estados Unidos e o presidente Barack Obama esteve em três Estados para fazer campanha em favor de Hillary Clinton. Nunca um ocupante da Casa Branca se empenhou tanto para eleger seu sucessor como ele.

A principal missão de Obama é mobilizar jovens e afro-americanos que deram impulso à sua candidatura em 2008 e 2012 e se mostram reticentes em relação a Hillary.

“Se eu ganhei credibilidade ao longo de oito anos como seu presidente, eu estou pedindo que vocês confiem em mim nisso”, disse Obama na Universidade de Michigan. “Eu votei em Hillary Clinton porque estou absolutamente confiante de que quando ela for presidente, este país estará em boas mãos e estou pedindo a vocês que façam o mesmo.”

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