Campanha presidencial americana foi marcada por diversas reviravoltas; relembre algumas

Campanha presidencial americana foi marcada por diversas reviravoltas; relembre algumas

Hillary teve de lidar com acusações com relação ao uso de um servidor privado de e-mail quando ainda era secretária de Estado e à sua saúde, e Trump tentou contornar denúncias de assédio sexual

Redação Internacional

08 de novembro de 2016 | 09h56

WASHINGTON – A campanha eleitoral para a presidência dos EUA de 2016 foi marcada por diversas reviravoltas, alternando a popularidade dos candidatos, que oscilou até alguns dias antes da eleição.

A democrata Hillary Clinton pensava que havia chegado ao fim o caso ligado ao uso de um servidor privado de e-mails quando ainda era secretária de Estado (2009-2013). Mas, faltando 11 dias para a votação, o diretor do FBI, James Comey, surpreendeu a todos anunciado a descoberta de novas correspondências eletrônicas potencialmente “pertinentes” e a reabertura do caso.

Candidatos à presidência dos EUA, Donald Trump e Hillary Clinton, se enfrentam em mais um debate (Foto: AFP PHOTO / Robyn Beck)

Candidatos à presidência dos EUA, Donald Trump e Hillary Clinton, se enfrentam em mais um debate (Foto: AFP PHOTO / Robyn Beck)

Apesar do susto para o comitê de campanha democrata, Comey anunciou no domingo que sua decisão de não processar Hillary não havia mudado após a revisão dos novos e-mails. Trump criticou a decisão do FBI para o caso que qualifica como “o maior escândalo político desde Watergate”, que provocou a renúncia do presidente Richard Nixon em 1974.

O republicano foi surpreendido em outubro, quando um vídeo foi publicado pelo jornal The Washington Post. Nele, Trump faz declarações degradantes em relação às mulheres, chocando até mesmo o seu próprio eleitorado, a ponto de figuras importantes do Partido Republicano retirarem seu apoio.

Falando a um apresentador de televisão após um programa, com os microfones ainda ligados, Trump diz: “Quando você é famoso, elas te deixam fazer tudo. Você pode agarrá-las pela b…”. Ele também se vangloriava de ter beijado e tocado mulheres à força, um comportamento considerado como assédio sexual.

Várias mulheres acusaram o candidato de abuso. “Vimos ele insultando mulheres, vimos ele dando nota às mulheres sobre a sua aparência, classificando de 1 a 10”, criticou Hillary, durante o seu segundo debate. “Foi piadas de vestiário, uma conversa privada há anos”, defendeu-se Trump.

Saúde. Hillary Clinton encurtou sua participação na cerimônia em Nova York em homenagem aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Sua equipe de campanha anunciou que ela havia passado mal depois de passar mais de uma hora sob um sol escaldante.

Mas um cidadão a filmou, de costas, à espera de seu carro, apoiada em uma pilastra. Na chegada do veículo, ela perdeu o equilíbrio e precisou ser amparada por dois guarda-costas para caminhar.

Seu médico pessoal indicou que ela sofria de uma “tosse relacionada a uma alergia”. Mas alguns dias depois, ela foi diagnosticada com pneumonia. A doença surgiu num momento em que seu rival insistia que a saúde dela era frágil e que ela carecia de energia para ser presidente.

Eleitores. Em uma noite de arrecadação de fundos em setembro, em Nova York, a democrata disse em frente às câmeras de televisão: “Para generalizar grosseiramente, você pode colocar metade dos partidários de Trump na caixa das pessoas lamentáveis”.

Os republicanos repetiram a palavra por vários dias com o objetivo de atingir o eleitorado das classes trabalhadoras brancas. “Hillary Clinton foi tão ofensiva em relação aos meus partidários, milhões de pessoas incríveis que trabalham duro. Eu acredito que isso vai lhe custar caro nas pesquisas”, escreveu o magnata em sua conta no Twitter.

No dia seguinte, Hillary reconheceu que “generalizou grosseiramente” e lamentou o que disse.

Soldado. Trump cometeu um erro sério ao atacar o pai do capitão do Exército Humayun Khan, muçulmano morto no Iraque em 2004 ao tentar salvar seus homens.

Khizr Khan, um americano naturalizado de origem paquistanesa, havia feito um discurso comovente na convenção democrata, criticando o plano do republicano de proibir a entrada de muçulmanos nos EUA.

Em resposta, Trump considerou que foi injustamente atacado, insinuando que a mulher de Khan havia permanecido em silêncio no palco, uma vez que não tinha o direito de falar sendo uma mulher muçulmana. O empresário também afirmou que havia feito muitos sacrifícios em sua vida. O ataque aos pais de Khan provocou a ira da opinião pública, mesmo nas fileiras republicanas. / AFP

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.