Campanha pressiona Hillary para pedir recontagem de votos em Estados-chave

Segundo reportagem do 'Guardian', para os integrantes dessa mobilização, o resultado por ter sido afetado pelos ataques de hackers estrangeiros

Redação Internacional

23 de novembro de 2016 | 16h29

Um crescente número de acadêmicos, ativistas e eleitores está pressionando autoridades americanas para que façam uma auditoria ou recontagem dos votos das eleições presidenciais de 2016 em alguns dos Estados-chave. Para os integrantes, o resultado por ter sido afetado pelos ataques de hackers estrangeiros, segundo uma reportagem desta quarta-feira, 23, do jornal britânico The Guardian.

A ampla coalizão, que está pedindo para que a campanha da democrata Hillary Clinton entre na briga, está preparando um relatório detalhado com as preocupações para ser entregue a uma comissão parlamentar e para autoridades federais no início da próxima semana, como noticiou o Guardian, citando duas fontes envolvidas.

Candidata democrata às eleições americanas, Hillary Clinton, foi derrotada pelo republicano Donald Trump (Foto: Justin Sullivan/Getty Images/AFP)

Candidata democrata às eleições americanas, Hillary Clinton, foi derrotada pelo republicano Donald Trump (Foto: Justin Sullivan/Getty Images/AFP)

O documento, que, de acordo com o jornal, já tem 18 páginas, foca principalmente em preocupações sobre os resultados nos Estados de Michigan, Pensilvânia e Wisconsin, alguns dos principais Estados-chave das eleições americanas este ano. Esses Estados, que fazem parte dos chamados swing-states, têm decidido as eleições presidenciais por sua característica segundo a qual seus eleitores se mantêm indefinidos até o último momento da eleição.

“Eu estou interessada em verificar os votos”, disse Barbara Simons, uma conselheira de uma comissão de assistência eleitoral dos EUA e especialista em voto eletrônico, em entrevista ao Guardian.  “Precisamos ter um auditoria das urnas após a eleição.” Barbara tem colaborado com análises a esse esforço, mas não quis precisar exatamente a natureza de seu envolvimento nessa campanha.

Um segundo grupo de analistas, liderado pelo fundador do Instituto Nacional pelo Direito ao Voto, John Bonifaz, e professor Alexa Halderman, diretor do centro de segurança computadorizada da Universidade de Michigan, também estão assumindo papel nessa campanha.

De acordo com o Guardian, Halderman disse que as urnas e os equipamentos de votação deveriam ser examinados nos Estados de Wisconsin, Michigan e Pensilvânica, alertando que o prazo para pedir essa revisão já está perto de se esgotar. “Infelizmente, ninguém irá examinar as evidências a não ser que candidatos nesses Estados decidam agir agora ou nos próximos dias, com pedidos de recontagem”, disse.

Os pedidos surgem após a surpreendente derrota de Hillary para Donald Trump no dia 8 e depois que autoridades de inteligência dos EUA disseram publicamente que hackers russos estavam por trás das invasões ao sistema de computadores eleitorais regionais e divulgaram e-mails de autoridades democratas dias antes das eleições.

Liderando as pesquisas com uma ampla vantagem com relação a Trump por meses antes da eleição nesses três Estados, Hillary perdeu por pouco na Pensilvânia e em Wisconsin e talvez ainda perca em Michigan, onde os votos ainda precisam ser contados.

Segundo o Guardian, curiosamente sobre o Wisconsin, parece haver uma vitória aparentemente desproporcional de Trump em condados que utilizaram urnas eletrônicas em comparação àqueles que usaram cédulas de papel. A aparente disparidade foi revelada este mês pelo jornalista David Greenwald.

A teoria, porém, foi contestada por Nate Silve, o estatístico e especialista fundador do site FiveThirtyEight, dizendo que essa diferença desaparece após as comparações por etnia e níveis educacionais muito próximos nacionalmente.

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