Campanhas nos EUA são falhas sobre terror

Ataques a bomba em Nova York mostram que plataformas de candidatos são fracas

Redação Internacional

22 de setembro de 2016 | 05h00

WASHINGTON – Não há nada nas propostas de combate ao terrorismo dos principais candidatos à presidência americana, Donald Trump e Hillary Clinton, que tivesse dado muita chance de deter os ataques à bomba em Nova York e New Jersey, dos quais Ahmad Khan Rahmi é acusado.

Prevenção do terrorismo será com certeza um dos principais temas em questão quando os dois candidatos se enfrentarem segunda-feira à noite em seu primeiro debate. Mas a verdade é que casos como o de Rahmi não se encaixam em nenhuma categoria conhecida. E sua trajetória, de criança imigrante a cidadão naturalizado e daí a acusado de terrorismo, mostra que as discussões em curso na campanha presidencial são simplistas demais.

Candidatos à presidência dos EUA, Donald Trump e Hillary Clinton

Candidatos à presidência dos EUA, Donald Trump e Hillary Clinton

A abordagem de Hillary é confiar mais na contrapropaganda para impedir a radicalização e procurar identificar indícios iniciais de extremismo. Mas ninguém sabe com certeza como Rahmi se tornou radical – se por meio da internet, durante viagens ao Paquistão ou por influência da nova mulher.

Trump, em resumo, descreveu uma política de manter potenciais terroristas fora do país, mesmo que isso signifique suspender ou violar antigos princípios americanos de receber refugiados e não discriminar imigrantes com base em religião. Hillary, em contrapartida, defende a checagem de imigrantes – seu histórico ou simpatia por ideologias radicais.

A democrata também sugeriu, em dezembro, que poderia acelerar o trabalho com empresas de tecnologia para excluir discursos radicais de Facebook, YouTube, Snapchat e aplicativos codificados usados por terroristas. “Vamos ouvir as queixas de costume sobre ‘liberdade de opinião’”, disse ela à Brookings Institution. E sugeriu que tais reclamações não sejam levadas em conta. Seus assessores admitem que isso não seria uma solução completa.

Ineficácia. “Não vamos nunca conseguir identificar todos os indivíduos potencialmente perigosos apenas com um registro policial de seu envolvimento com outros maus indivíduos”, afirma Daniel Benjamin, ex-coordenador de contraterrorismo do Departamento de Estado e hoje professor no Dartmouth College. “Assim, ter mais olhos atentos e mais conscientização nas comunidades é fundamental.”

Benjamin, conselheiro da campanha de Hillary, admitiu não haver “garantias de que tais programas pudessem ter descoberto Rahmi com antecipação”. Mas disse que seu caso, e o de um somali-americano que esfaqueou dez pessoas num shopping center em Saint Cloud, Minnesota, antes de ser morto por um policial fora de serviço, “parecem exemplificar bem mudanças de comportamento que poderiam ter soado alarmes”.

Já Trump resume essas propostas numa palavra: “fraqueza”. Em comício na terça-feira, ele disse que as lições dos atentados em Nova York e New Jersey apontam para a necessidade de reprimir a imigração.
“Esses ataques foram possíveis em razão de nosso sistema de imigração extremamente aberto, que dificulta checar e analisar pessoas ou famílias entrando em nosso país.”

Trump disse que Hillary é favorável “a pessoas chegando em grande número da Síria”, embora os dez mil refugiados vindos de lá este ano sejam uma pequena fração do número que nações europeias receberam. O candidato republicano defendeu a contenção “da maciça entrada de refugiados, que Hillary tem tentando aumentar drasticamente”. / NYT

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