Cenário: Futuro presidente treina para choque com México e China

Redação Internacional

05 Janeiro 2017 | 05h00

Binyamin Appelbaum
THE NEW YORK TIMES

Donald Trump nomeou como seu negociador comercial um advogado que sempre defendeu a adoção de políticas protecionistas. É o mais recente sinal de que pretende cumprir sua promessa de adotar uma posição mais dura com China, México e outros parceiros comerciais. E, como prometido, Trump tenta convencer empresas americanas a aumentar seu setor de produção no país.

Na terça-feira, ele criticou a General Motors pelo Twitter por fabricar no México seus modelos Chevrolet Cruze vendidos nos EUA. Horas depois, disse que graças a ele a Ford ampliará sua produção em Michigan.

A escolha de Robert Lighthizer como representante comercial dos Estados, juntamente com os comentários de Trump no Twitter, sublinha o foco do presidente eleito na reativação da manufatura de produtos nos EUA, o que tem causado mal-estar entre alguns republicanos que consideram retrógradas as ideias de Trump sobre comércio.

Presidente eleito dos EUA, Donald Trump (Foto: REUTERS/Shannon Stapleton)

Presidente eleito dos EUA, Donald Trump (Foto: REUTERS/Shannon Stapleton)

Economistas influentes vêm alertando que políticas protecionistas, como um imposto sobre importações, produzirão preços mais altos que serão pagos pelos consumidores e devem frear o crescimento econômico do país. Mas alguns democratas se mostram dispostos a apoiar Trump.

Segundo o presidente eleito e seus assessores, incluindo Lighthizer, nas últimas décadas os EUA priorizaram o ideal do livre comércio em detrimento dos próprios interesses. Alegam que outros países estão corroendo a base industrial dos EUA ao subsidiarem seus setores de exportação e ao mesmo tempo dificultarem a atividade dos importadores americanos. E consideram a competição injusta a principal razão do apático crescimento da economia.

Ao nomear Lighthizer, Trump escolheu um dos principais advogados de Washington, especializado em direito comercial, para fazer valer os acordos comerciais internacionais com mais vigor. Uma mudança mais abrangente na política comercial será mais lenta. Trump prometeu renegociar o Nafta, acordo de livre comércio entre EUA, México e Canadá. O processo original levou mais de três anos. E ele ameaça impor novas tarifas sobre as importações. Mas mudanças de maior envergadura exigirão aprovação do Congresso.

Lighthizer atuou como representante comercial adjunto dos EUA durante o governo Reagan, quando esteve envolvido numa campanha de pressão contra o Japão para o país reduzir suas restrições sobre as importações americanas e os subsídios às suas próprias exportações. Trump vem criticando a China por práticas similares, abrindo caminho para uma nova rodada de enfrentamentos.

Reagan é lembrado como o defensor do livre comércio, mas seu governo no início impôs uma cota para importação de carros japoneses. Foi a primeira de uma longa série de medidas para pressionar um país considerado então, como a China nos últimos anos, uma ameaça à prosperidade americana. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

É JORNALISTA