Cenário: Mais um nome controvertido

Ele não crê na solução de dois Estados, apóia os assentamentos e já relacionou os judeus de esquerda aos colaboradores do nazismo

Redação Internacional

17 Dezembro 2016 | 05h00

 Sewell Chan
THE NEW YORK TIMES

As visões de extrema direita de David Friedman, advogado que o presidente eleito Donald Trump escolheu para ser o futuro embaixador americano em Israel, têm despertado preocupações.

Friedman, que representou Trump em questões envolvendo os cassinos em Atlantic City, não tem experiência diplomática. Ele não crê na solução de dois Estados; apoia os assentamentos em territórios palestinos; tem acusado o governo Obama de antissemitismo; e já relacionou os judeus de esquerda aos colaboradores do nazismo.

David Friedman (E), escolhido por Trump para representar os EUA em Israel, defende mudança da embaixada para Jerusalém (Bloomberg photo by Bradley C. Bower)

David Friedman (E), escolhido por Trump para representar os EUA em Israel, defende mudança da embaixada para Jerusalém (Foto: Bloomberg/Bradley C. Bower)

Em artigo no ano passado, chamou os apoiadores da J. Street – organização judaica nos EUA que apoia a solução de dois Estados – de “muito piores que os kapos” (judeus que se voltaram contra companheiros nos campos de extermínio nazistas).

Ele escreveu: “Os kapos enfrentaram extraordinária crueldade e quem sabe o que podemos fazer em tais circunstâncias para salvar um ente querido? Mas J. Street? São arrogantes defensores da destruição de Israel que falam do conforto de seus sofás nos EUA – é difícil imaginar alguém pior.”
Em editorial, o jornal israelense Haaretz chamou Friedman de “extrema direita”. “Ele faz Netanyahu parecer um derrotista de esquerda.” O clérigo palestino xeque Ikrama Sabri advertiu contra mudar a embaixada dos EUA para Jerusalém. “Se isso acontecer, os EUA terão declarado uma nova guerra contra os palestinos e o mundo árabe.”

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