Cenário: Novo anúncio promete acirrar mais a disputa

Com o anúncio de ontem do FBI, a democrata foi colocada na defensiva e enfrentará uma avalanche de acusações do adversário, que prometem tornar a disputa mais acirrada em sua reta final

Redação Internacional

29 Outubro 2016 | 05h00

Divulgado há três semanas, o vídeo no qual Donald Trump diz que pode fazer o que quiser com as mulheres por ser famoso parece um ponto distante no retrovisor dos americanos. A 11 dias da eleição, o que eles verão em primeiro plano é o anúncio do FBI de que analisará novos e-mails relacionados ao período em que Hillary Clinton foi secretária de Estado.

A notícia provocou um terremoto na campanha eleitoral dos Estados Unidos e colocou em dúvida as previsões que davam como certa a vitória da democrata no dia 8. Antes do abalo sísmico, pesquisas já mostravam o acirramento da disputa em Estados cruciais, como a Flórida e Nevada, nos quais Hillary liderava.

Candidata democrata à presidência dos EUA, Hillary Clinton (Foto: AFP PHOTO / SAUL LOEB)

Candidata democrata à presidência dos EUA, Hillary Clinton (Foto: AFP PHOTO / SAUL LOEB)

A democrata também viu sua margem diminuir nos levantamentos nacionais. Na média das pesquisas mais recentes calculada pelo RealClearPolitics ela lidera com uma margem de cinco pontos – dez dias atrás, a diferença era de sete pontos porcentuais.

O caráter vago da carta em que o diretor do FBI, James Comey, anunciou a análise dos novos e-mails permitiu que os republicanos caracterizassem a decisão como a reabertura da investigação encerrada em julho, na qual a agência concluiu não haver indício de práticas criminosas da ex-secretária de Estado. Nos próximos dez dias, essa será a narrativa que Trump usará na campanha, incitando o grito de guerra de seus seguidores pela prisão de Hillary – “lock her up”.

A candidatura da democrata já vinha sangrando diariamente com a divulgação, pelo WikiLeaks, de milhares de e-mails interceptados do servidor do chefe de sua campanha, John Podesta. Mensagem divulgada anteontem mostrou que o ex-presidente Bill Clinton recebeu milhões de dólares por palestras feitas a doadores da Fundação Clinton, que também teriam fornecido presentes e favores à sua família.

Em vários e-mails, assessores de Hillary mostram desconforto com os lucrativos contratos de Clinton e dúvidas sobre a capacidade de julgamento da candidata. “Nós recebemos muita água que não conseguiremos tirar facilmente do barco. A maior parte dela tem a ver com decisões terríveis feitas antes da campanha, mas muito tem a ver com os instintos dela”, escreveu Podesta. Neera Tanden, uma das pessoas próximas de Hillary, respondeu: “Quase ninguém sabe tanto quanto eu que os instintos dela podem ser terríveis”.

Com o anúncio de ontem do FBI, a democrata foi colocada na defensiva e enfrentará uma avalanche de acusações do adversário, que prometem tornar a disputa mais acirrada em sua reta final.