Chefe de campanha de Hillary vincula equipe de Trump à divulgação de e-mails da democrata

Chefe de campanha de Hillary vincula equipe de Trump à divulgação de e-mails da democrata

John Podesta afirmou que o FBI está investigando a ‘invasão criminosa’ do servidor de e-mail da democrata em uma busca mais ampla sobre ciberataques cometidos pela Rússia

Redação Internacional

12 Outubro 2016 | 15h40

WASHINGTON – O chefe de campanha da candidata democrata à presidência dos EUA, Hillary Clinton, culpou a Rússia pela invasão de sua conta particular de e-mail e acredita que a equipe do candidato republicano, Donald Trump, poderia ter tido conhecimento prévio da divulgação das informações.

Em declarações aos jornalistas no avião de campanha de Hillary, John Podesta explicou na noite de terça-feira que o FBI está investigando a “invasão criminosa” de seu servidor de e-mail dentro de uma busca mais ampla sobre ciberataques cometidos pela Rússia.

Hillary não foi tão superior a Trump como no primeiro debate, mas não cometeu deslizes que pudessem prejudicar sua campanha (FOTO: AFP PHOTO / Paul J. Richards)

Hillary não foi tão superior a Trump como no primeiro debate, mas não cometeu deslizes que pudessem prejudicar sua campanha (FOTO: AFP PHOTO / Paul J. Richards)

“A interferência da Rússia nesta eleição e, aparentemente em nome de Trump, é, acredito eu, de máxima preocupação para todos os americanos, não importa se são democratas, independentes ou republicanos”, advertiu Podesta.

Em seguida, o assessor de Hillary afirmou que é “razoável” crer que Roger Stone, amigo de Trump e ex-assessor de sua campanha, soubesse com antecedência que o site Wikileaks estava prestes a divulgar seus e-mails particulares.

Podesta lembrou que o próprio Stone afirmou que teve contato com o fundador do WikiLeaks, o ativista australiano Julian Assange. “Portanto, acredito que é uma suposição razoável, ou pelo menos uma conclusão razoável, que o senhor Stone foi alertado, que a campanha de Trump sabia de antemão o que Assange estava prestes a fazer”, insistiu o alto assessor de Hillary.

No entanto, Podesta não confirmou a autenticidade dos e-mails que o WikiLeaks começou a publicar na sexta-feira e que contêm, entre outros assuntos, as transcrições dos discursos pagos que Hillary fez desde que deixou de ser secretária de Estado, em 2013, até o início de sua campanha presidencial em 2015.

Na semana passada, o governo americano acusou oficialmente a Rússia de efetuar ataques cibernéticos para interferir nas eleições presidenciais americanas, facilitando o vazamento de 20 mil e-mails do Comitê Nacional Democrata (DNC, na sigla em inglês) por parte do WikiLeaks.

O governo dos EUA acredita que “só os funcionários do mais alto escalão do governo russo poderiam ter autorizado” os ciberataques, segundo indicaram em comunicado o Departamento de Segurança Nacional e o Escritório do Diretor de Inteligência Nacional, James Clapper.

Hillary já havia acusado a Rússia em julho do ciberataque cometido contra o DNC, que revelou estratégias do comitê para enfraquecer o senador Bernie Sanders, que disputou com a ex-secretária de Estado a candidatura presidencial do partido.

Segundo a Casa Branca, o presidente dos EUA, Barack Obama, está considerando uma “resposta proporcional” para o envolvimento russo nos ataques cibernéticos, acusações que foram rechaçadas pelas autoridades em Moscou.

Reação. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, considerou nesta quarta-feira, 12, como “ridículas” as acusações dos EUA. “É lisonjeador, certamente, receber este tipo de atenção para um poder regional, como o presidente Obama nos chamou há algum tempo, mas não há nenhum fato que sustente essas alegações”, disse o chefe da diplomacia russa em uma entrevista exibida pela emissora CNN.

Veja abaixo: Trump: “Putin é muito mais líder que Obama”

“Não vimos um único fato, uma única prova, e nem uma única resposta à proposta que o procurador-geral russo fez há quase um ano ao Departamento de Justiça (dos EUA) para iniciar consultas profissionais sobre crimes cibernéticos”, acrescentou Lavrov.

Na entrevista, a jornalista Christiane Amanpour comentou que a Rússia negou a acusação e Lavrov a interrompeu dizendo: “Não negamos, eles não provaram”.

Ao ser questionado sobre a “resposta proporcional” que Obama está considerando diante dos ciberataques, o diplomata russo preferiu não se aprofundar no assunto. “Não vale a pena especular, se eles (EUA) decidirem fazer algo, que façam”, disse o ministro. / EFE