Chefe de campanha de Trump recebeu US$ 13 milhões de partido ucraniano pró-Rússia, diz ‘NYT’

Chefe de campanha de Trump recebeu US$ 13 milhões de partido ucraniano pró-Rússia, diz ‘NYT’

Paul Manafort negou ter recebido pagamentos em dinheiro durante o período em que trabalhou com o ex-presidente da Ucrânia Viktor Yanukovich

Redação Internacional

16 Agosto 2016 | 14h42

WASHINGTON – O chefe de campanha do candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu durante seis anos cerca de US$ 13 milhões procedentes de um partido pró-Rússia na Ucrânia, segundo publicou o jornal The New York Times na segunda-feira.

Nos livros de contabilidade secretos do Partido das Regiões do ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovich, revelados pelo Escritório Anticorrupção em Kiev, aparecem refletidos pagamentos em dinheiro a Paul Manafort no valor de US$ 12,7 milhões. Investigadores ucranianos acreditam que esses pagamentos, escritos à mão entre 2007 e 2012 nos livros, fazem parte de um sistema de contabilidade ilegal do partido de Yanukovich.

Paul Manafort, chefe de campanha de Donald Trump

Paul Manafort, chefe de campanha de Donald Trump (Foto: AP Photo/Carolyn Kaster, File)

A investigação realizada pela Promotoria ucraniana aponta também para uma rede de empresas estabelecidas em paraísos fiscais que ajudaram membros do círculo próximo de Yanukovich a financiar seu estilo de vida.

O jornal afirma que entre as transações duvidosas há um acordo no valor de US$ 18 milhões para vender ativos de uma televisão a cabo a um consórcio montado por Manafort e o oligarca russo Oleg Deripaska, aliado do atual presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Ainda não foi provado se Manafort recebeu os pagamentos, e ele não está sendo investigado pelas atividades em paraísos fiscais do entorno de Yanukovich, mas promotores acreditam que ele deveria conhecer o envolvimento de suas gestões financeiras.

“Paul Manafort está nas ‘contas opacas’ do Partido das Regiões e seu nome aparece em 22 ocasiões, mas queremos deixar claro que sua presença na lista não necessariamente mostra que recebeu o dinheiro”, disse o Escritório Anticorrupção em Kiev.

Autoridades ucranianas admitem que ainda não está claro o propósito desses pagamentos registrados nos livros de contabilidade secretos porque as assinaturas que aparecem na coluna de receptores “têm de ser verificadas” e podem pertencer “a outras pessoas”.

Por meio de seu advogado, Richard Hibey, o chefe de campanha de Trump garantiu ao The New York Times que seu cliente “jamais recebeu esse tipo de pagamento” e acrescentou que se trata de meras “suposições”, e que “muito provavelmente” estão impregnadas de “interesses políticos”.

Manafort dedicou grande parte de sua carreira profissional à consultoria internacional, desde que começou a trabalhar nos anos 1980 com o ditador filipino Ferdinand Marcos até um de seus últimos clientes, o ex-presidente Yanukovich, segundo o jornal.

Finalmente, a publicação assegura que o atual chefe de campanha de Trump e sua consultoria ajudaram Yanukovich a ganhar várias eleições na Ucrânia, uma época na qual Manafort nunca se registrou como agente estrangeiro no Departamento de Justiça.

Resposta. Mais tarde, Paul Manafort negou ter recebido pagamentos em dinheiro e segredos durante o período em que trabalhou com Yanukovich. “Toda sugestão de que aceitei pagamentos em dinheiro não tem fundamento, é estúpida e sem sentido”, declarou em comunicado. Ele ainda afirmou que foi “falsamente” acusado.

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Manafort esclareceu que todos os pagamentos que recebeu durante seu trabalho na Ucrânia foram para “toda a equipe política: pessoal de campanha (local e internacional), pesquisas e investigação, integridade eleitoral e anúncios de televisão”.

Os vínculos dele com o ex-líder ucraniano, substituído por um governo pró-Europa, estão sendo examinados, especialmente depois que Trump sugeriu que reconheceria a anexação russa da Crimeia se chegasse à presidência. A Rússia invadiu e anexou a península ucraniana em 2014 após a violenta saída de Yanukovich.

Manafort voltou a negar que tenha “trabalhado para os governos da Ucrânia ou Rússia”, mas não detalhou seus contratos com o Partido das Regiões, além de destacar que suas operações na Ucrânia “cessaram após as eleições parlamentares de outubro”.

A informação eleva os temores sobre as tentativas de que o governo russo possa interferir de algum modo nas eleições americanas de novembro. / EFE