Cidade desenvolvida para aposentados na Flórida é principal reduto republicano do Estado

Cidade desenvolvida para aposentados na Flórida é principal reduto republicano do Estado

The Villages foi montada com o objetivo de atrair idosos e é composta majoritariamente por eleitores conservadores; minoria democrata alega se sentir marginalizada

Redação Internacional

26 Outubro 2016 | 11h02

THE VILLAGES, EUA – Os cardápios têm letras grandes, as lojas vendem roupas folgadas, as sapatarias não expõem calçados com salto, e sim pantufas nas vitrines, e os idosos se deslocam em carrinhos de golfe ao longo das ruas e avenidas.

The Villages é uma cidade povoada por pessoas de cabelos grisalhos e sem policiais à vista. Desenvolvida especialmente para aposentados no centro da Flórida, ela se tornou o maior reduto republicano do Estado do sudeste dos EUA.

Moradores de The Village dançam em praça da cidade (Foto: AFP PHOTO / RHONA WISE)

Moradores de The Village dançam em praça da cidade (Foto: AFP PHOTO / RHONA WISE)

No estacionamento de cada casa é possível ver ao menos um carrinho de golfe, muitas vezes decorado com adesivos a favor do candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump. “São pessoas que trabalharam duro, economizaram dinheiro, têm sentimentos muito fortes sobre as oportunidades que este grande país lhes deu e estes são os valores que trouxeram” ao mudarem para The Villages, atraídos pelo clima quente, conta John Calandro.

Em um passeio em seu carrinho de golfe – com um adesivo na parte traseira com a frase “Veteranos por Trump” -, Calandro aponta igrejas e campos de golpe, e afirma que nenhum habitante da região nasceu ali.

“É emocionante falar com gente de todo o país e ver que compartilhamos os mesmos valores”, comenta o veterano do Vietnã e presidente do partido republicano local. “Somos fortes crentes no capitalismo.”

“Realmente é uma comunidade de pessoas com valores semelhantes”, confirma Marina Woolcock, atraída de Nova York pelo estilo de vida e pelo clima bom da cidade. Atualmente, ela preside a federação local de mulheres republicanas.

No fim da tarde, uma pequena feira é montada no centro de The Villages e os idosos dançam música country na praça. Outros permanecem sentados, observando a cena com um sorriso. Muitos usam bonés e roupas com lemas republicanos.

Veja abaixo: Na Flórida, Trump diz que Hillary cometeu ‘crimes’

Receio. “É uma zona tradicionalmente muito conservadora”, afirma Ann Boyd, professora aposentada que trabalha na campanha democrata local. “Se olhar um mapa da Flórida, há um enorme ponto vermelho justamente onde se localiza The Villages.”

Mas ela lamenta por se sentir marginalizada e ser alvo de provocações dos republicanos. “Normalmente temos um ‘low-profile’, porque eles (os republicanos) supõem que todos pensam como eles, mas não é o caso”, disse.

Segundo a Divisão de Eleições da Flórida, 53% dos inscritos para votar no condado de Sumter – com 118 mil habitantes – estão filiados ao Partido Republicano. Por isso, esse eleitorado é o último recurso de Trump em sua atribulada campanha pela Casa Branca.

“Trump tem poucas chances de vencer a eleição. Sua única possibilidade é com a Flórida”, afirma Joseph Uscinski, professor associado de ciências políticas da Universidade de Miami. “E para vencer na Flórida, ele tem de contar com os eleitores mais idosos, que, diferentemente dos jovens, são os que mais provavelmente votarão nele”, disse.

A Flórida é um dos campos de batalha mais importantes nas eleições de 8 de novembro. Com 20,2 milhões de habitantes (17,3% deles com mais de 65 anos), é o terceiro Estado mais populoso do país. Além de seu tamanho, ele também se destaca por sua oscilação entre uma tendência e outra com uma pequena margem entre os dois candidatos.

Sua complexidade eleitoral reside em sua falta de homogeneidade. Basicamente, o sul é democrata, o norte é republicano, e o centro, foco migratório de porto-riquenhos democratas e aposentados republicanos, é o verdadeiro campo de batalha.

Segundo o site Real Clear Politics, no dia 21 de outubro a democrata Hillary Clinton tinha 3,8 pontos de vantagem sobre Trump na Flórida, uma diferença que ainda pode mudar. E, se virar, pode definir os resultados nacionais. / AFP