Las Vegas é metáfora da campanha eleitoral americana

Redação Internacional

20 Outubro 2016 | 05h00

Cláudia Trevisan
ENVIADA ESPECIAL / LAS VEGAS, EUA

 

Não há cerimônia nem hierarquia na estética de Las Vegas. As pirâmides do Egito estão ao lado dos arranha-céus de Nova York e a artificialidade impera nessa Disneylândia para adultos no deserto. A cidade tem uma média de 294 dias ensolarados por ano, mas sua alma se revela na escuridão que dá vida aos luminosos e impera na noite permanente dos cassinos.

A escolha da cidade para o terceiro e último debate presidencial dos EUA é uma metáfora da própria campanha eleitoral, na qual a linha divisória entre política e celebridade deixou de existir. O espírito libertário que levou o Estado de Nevada a legalizar o jogo e a adotar a legislação mais flexível dos EUA sobre divórcio e casamento continua a existir – na maioria dos cassinos é permitido fumar, algo raro na cultura antitabagista americana.

Há duas Las Vegas e a mais célebre delas que existe no corredor de 6,8 km conhecido como “The Strip”, na qual estão as reproduções da Torre Eiffel, da Estátua da Liberdade e das pirâmides do Egito. Em um dos extremos da “The Strip” está a torre dourada do Hotel Trump Internacional, um dos poucos da região a não ter cassinos. A trajetória do bilionário está associada a Atlantic City, onde alguns de seus cassinos faliram nos anos 90.

A outra Las Vegas existe no centro da cidade, onde os primeiros cassinos foram abertos no início do século 20. Com seus néons retrô, a região era o local preferido para locações de filmes nostálgicos sobre Las Vegas, mas a fonte de recursos criados pelo jogo não estava mais lá. No início dos anos 90, cerca de 80% dos cassinos da cidade estavam na “Strip”. Para sobreviver, o centro criou sua própria atração, em um calçadão coberto por um telão de luzes, ao longo do qual há cassinos, lojas e restaurantes.