Clinton prevê rejeitar doações a fundação

Clinton prevê rejeitar doações a fundação

Em meio a suspeita de conflito de interesses, ele disse que a fundação da família deixará de receber doações estrangeiras se sua mulher for eleita

Redação Internacional

20 Agosto 2016 | 05h00

NOVA YORK- Frente às críticas a algumas doações feitas à entidade filantrópica de sua família, Bill Clinton disse na quinta-feira que, se Hillary chegar à presidência, a Fundação Clinton não aceitará mais dinheiro de doadores estrangeiros ou corporações e ele renunciará à diretoria da entidade.

O anúncio de Clinton, feito a funcionários da fundação, seguiu-se à recente divulgação de e-mails do Departamento de Estado mencionando que doadores da Fundação Bill, Hillary e Chelsea Clinton mantiveram contato com assessores de Hillary quando ela era secretária de Estado.

Iowa based shirts are on display behind Democratic presidential candidate Hillary Clinton as she speaks after touring Raygun, a printing, design and clothing company, in Des Moines, Iowa, Wednesday, Aug. 10, 2016. (AP Photo/Andrew Harnik)

Hillary em evento de campanha em Iowa. Foto: Andrew Harnik/AP

As doações tornaram-se um ponto fraco de Hillary na campanha contra Donald Trump. O republicano sugeriu repetidamente que doadores estrangeiros corromperam o mandato de Hillary como secretária de Estado. Na terça-feira, a campanha de Trump citou um editorial do Boston Globe intitulado A Fundação Clinton Deveria Parar de Aceitar Fundos.

A decisão surge em meio a preocupações de aliados de Hillary de que possam aparecer mais detalhes do relacionamento entre o Departamento de Estado sob Hillary e doadores da fundação.

Trump já mencionou uma série de e-mails de 2009 mostrando Douglas J. Band, consultor de Hillary, tentando articular um encontro entre um funcionário de alto escalão do governo americano e Gilbert Chagoury, empresário libanês-nigeriano e doador da fundação.

“Como vocês sabem, ele é um cara-chave lá, e para nós, e é amado no Líbano”, escreveu Band numa mensagem obtida por Judicial Watch, grupo de lobby conservador, em atas públicas de processos.

Trump disse que a troca de mensagens comprova o “toma-lá-dá-cá” entre doadores e o Departamento de Estado de Hillary. A campanha de Hillary disse que o rival descaracterizou as mensagens e a candidata nunca se pautou por doações à fundação.

Mas a divulgação de e-mails, e seu potencial para reais ou supostos conflitos de interesse, forçou os Clintons a se protegerem de maiores danos aos já baixos níveis de confiança da candidata entre eleitores.

O ex-presidente também disse que, Hillary ganhando ou perdendo, a Fundação Clinton encerrará a Clinton Global Initiative, um encontro anual de líderes globais, filantropos, doadores e celebridades para discutir preocupações internacionais. O último encontro será em setembro.

Doadores estrangeiros e países são proibidos de doar diretamente para campanhas políticas americanas, mas têm doado centenas de milhões de dólares à Fundação Clinton, que trabalha em nível mundial no combate à aids e ao HIV, à malária, à obesidade infantil e às mudanças climáticas, defendendo ainda os direitos das mulheres e outras causas.

No anos passado, sob pressão por seus negócios com doadores de fora dos Estados Unidos, a Fundação Clinton informou que iria proibir novas contribuições de governos, mas não interrompeu as doações individuais de estrangeiros, corporações ou instituições de caridade.

A decisão de Bill Clinton foi anunciada pela Associated Press e confirmada por Craig Minassian, um porta-voz da fundação. A entidade passará a contar apenas com contribuições de cidadãos e instituições americanos caso Hillary venha a ser presidente, disse Bill.

A providência, porém, não vai pôr fim necessariamente às preocupações sobre como a fundação e seus apoiadores se relacionariam com um governo Hillary Clinton.

Uma reportagem do programa de TV ABC News em junho, sobre a designação de Rajiv K. Fernando, corretor de seguros de Chicago e grande doador da fundação, para uma importante diretoria do Departamento de Inteligência em 2011, provocou uma imediata reação de rivais políticos de Hillary. Como a Fundação Clinton Pôs à Venda a Segurança Nacional – foi o título de um comunicado à imprensa de um comitê nacional, republicano.

Hillary melhorou seus índices de confiabilidade recentemente, mas 59% dos americanos ainda dizem que ela não é honesta ou confiável, comparados aos 62% que dizem o mesmo de Donald Trump, segundo pesquisa ABC News/Washington Post divulgada neste mês. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ