Com Trump em baixa, democratas querem ganhar força no Congresso

Impopularidade e desempenho ruim do candidato republicano, que deve enfraquecer o domínio de seu partido no Senado, já preocupa redutos de deputados em distritos ricos de cidades como Kansas, San Diego, Orlando e Minneapolis

Redação Internacional

29 Agosto 2016 | 05h00

Alexander Burns
Jonathan Martin
THE NEW YORK TIMES

WASHINGTON  – Embalados pelos problemas que Donald Trump enfrenta na corrida presidencial, democratas no Congresso estão lançando as bases para ampliar a lista de adversários republicanos na Câmara que procurarão derrotar como parte do esforço de derrubar a maioria republicana de 30 cadeiras – e mesmo pleitear o controle da Casa, se Trump continuar caindo.

A impopularidade de Trump, que deve enfraquecer o domínio de seu partido no Senado, agora ameaça pôr em perigo deputados republicanos mesmo em distritos tradicionalmente conservadores, segundo estrategistas e funcionários dos dois partidos envolvidos na luta pelo controle da Câmara.

Os democratas estão particularmente entusiasmados pela diminuição de apoio a Trump em distritos ricos de Kansas City, Kansas; San Diego; Orlando, Flórida; e Minneapolis – onde os republicanos normalmente vencem com facilidade. Trump está tão em baixa entre eleitores com curso superior, especialmente mulheres brancas, que corre o risco de perder por dois dígitos em vários distritos nos quais em 2012 o indicado republicano, Mitt Romney, ganhou com folga.

“É uma situação estranha. Nós, republicanos, deveríamos estar numa posição bem mais forte em muitas áreas suburbanas”, disse o deputado Charlie Dent, da Pensilvânia, cujo distrito inclui tanto subúrbios quanto cidades pequenas. “Mas, em razão do nosso indicado para a presidência, a disputa será muito mais competitiva do que deveria ser.”

Poucos democratas dizem acreditar que seu partido tenha condições, no momento, de tomar o controle da Câmara, onde os republicanos têm a maioria mais folgada em 87 anos. Em virtude da forma como seus distritos congressionais estão desenhados, os republicanos contam com uma poderosa vantagem estrutural mesmo num ambiente politicamente hostil.
Mas também serão forçados a dar passos mais decisivos se Trump continuar a arrastar consigo os candidatos republicanos.

Vários estrategistas envolvidos na campanha pelo controle do Congresso dizem que grupos republicanos independentes estão prontos para divulgar anúncios advertindo que, como Trump certamente será derrotado, é preciso votar em parlamentares republicanos para fazer frente a Hillary Clinton.

Candidatos e grupos republicanos também avaliam publicar anúncios na TV contra a deputada Nancy Pelosi, democrata da Califórnia e líder da minoria na Câmara, que é impopular em muitos distritos californianos indefinidos.

Há muito em jogo. Se Trump perder a disputa presidencial e os democratas retomarem o controle do Senado, a Câmara de Deputados será a última linha de defesa do partido em Washington.

Otimismo. Embora os democratas, publicamente, procurem desestimular as expectativas de que possam conquistar a Câmara, em reuniões privadas estão esboçando planos de batalha para lutar por mais cadeiras.

Financiadores de campanhas do partido de Hillary parecem cada vez mais motivados: no mês passado a campanha democrata para a Câmara levantou US$ 12 milhões, enquanto o lado republicano conseguiu apenas US$ 4,6 milhões, uma diferença considerável tendo em vista que o partido no controle da Casa usualmente domina a arrecadação de fundos.

Nancy Pelosi mandou e-mails a colegas deputados citando um estudo acadêmico segundo o qual a maioria na Câmara pode, sim, ser alcançada, de acordo com um destinatário de e-mail que pediu anonimato porque a mensagem tinha caráter privado.
Num encontro promovido por ela neste mês em Napa Valley, o deputado Ben Ray Luján, do Novo México, fez uma apresentação a doadores destacando planos para a conquista de novas cadeiras.

“Não creio que estejamos a ponto de perder a maioria, mas seria tolice ficar muito confiantes”, disse o deputado republicano Tom Cole, de Oklahoma. “Não sabemos como a disputa pela presidência estará de um dia para outro.” / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ