Conselheiros de Trump dizem que Cuba deve mudar para manter aproximação

Conselheiros de Trump dizem que Cuba deve mudar para manter aproximação

Kellyanne Conway e Reince Priebus afirmaram que a ilha comunista deve permitir mais liberdade para o povo e oferecer contrapartidas aos americanos para manter abertura iniciada por Barack Obama

Redação Internacional

27 de novembro de 2016 | 18h09

WASHINGTON – O governo cubano deve avançar no sentido de permitir mais liberdade para o seu povo e oferecer contrapartidas aos americanos, se quiser manter o processo de aproximação iniciado pelo presidente Barack Obama, disseram neste domingo, 27, os principais assessores do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump.

Os comentários de Kellyanne Conway e Reince Priebus foram feitos após a morte do ex-líder cubano Fidel Castro, na madrugada de sábado, aos 90 anos. O irmão mais novo de Fidel, Raúl Castro, de 85 anos, assumiu o poder em 2006, e negociou com Obama para restabelecer as relações diplomáticas no ano passado.

Reince Priebus, futuro chefe de gabinete de Trump, disse que abertura com Cuba será revertida se não houver 'algum movimento' do governo de Raúl Castro (REUTERS/Joe Skipper)

Reince Priebus, futuro chefe de gabinete de Trump, disse que abertura com Cuba será revertida se não houver ‘algum movimento’ do governo de Raúl Castro (REUTERS/Joe Skipper)

Priebus, futuro chefe de gabinete de Trump, disse que o presidente eleito vai inverter a abertura de Obama para Cuba, a menos que haja “algum movimento” do governo cubano. “Repressão, mercados abertos, liberdade religiosa, prisioneiros políticos. Essas coisas precisam mudar para que as relações sejam abertas e livres, e é nisso que o presidente eleito Trump acredita, é o que vai direcionar suas decisões”, disse a uma rede de TV.

Já Kellyanne, gerente da campanha de Trump, fez observações semelhantes e observou que qualquer acordo diplomático terá que beneficiar os trabalhadores americanos. “Para que o presidente Trump possa abrir novas conversas, Cuba terá que ser um país muito diferente”, disse. “Ele quer ter certeza de que quando ele for presidente, caso se envolva em qualquer tipo de relação diplomática ou acordo comercial, nós tenhamos proteção e possamos receber algo em troca, como país.”

Kellyanne afirmou que nada foi decidido sobre Cuba, mas observou que os EUA têm permitido que aeronaves comerciais façam negócios com o governo e com os militares cubanos, mesmo com o regime repressivo. Ela disse que a prioridade é reunir a comunidade internacional em torno de tentar libertar prisioneiros políticos.

O senador republicano pela Flórida, Marco Rubio, cujos pais nasceram em Cuba, disse que está animado com a retórica de linha dura de Trump sobre Cuba. Em entrevista, o senador afirmou que o foco americano deve ser sua própria segurança e outros interesses, além de encorajar uma democracia cubana.

“Devemos examinar nossa política em relação a Cuba através dessas lentes”, disse ele. “E se houver uma política que ajude isso, ela deve ser mantida. E se é uma política que vai em direção contrária, deve ser removida”, sugeriu.

Durante a campanha, Trump disse que “reverteria concessões” ao governo cubano feitas por Obama, a menos que o governo de Castro cumpra suas demandas. No sábado, enquanto Obama ofereceu condolências à família de Fidel e disse que os EUA estendem “uma mão de amizade ao povo cubano”, Trump anunciou em uma rede social: “Fidel Castro está morto!”

Trump, mais tarde, divulgou uma declaração afirmando que sua administração “fará tudo o que puder para garantir que o povo cubano possa finalmente iniciar sua jornada rumo à prosperidade e à liberdade”. / AP

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