Coreia do Norte pede que Trump mude a política dos EUA para o país

Coreia do Norte pede que Trump mude a política dos EUA para o país

Em editorial, jornal do partido único do país diz que tentativas americanas de desnuclearização são 'ilusão obsoleta'; gabinete da presidente sul-coreana, Park Geun-hye, informou que Trump se comprometeu manter aliança com o país

Redação Internacional

10 de novembro de 2016 | 11h08

PYONGYANG – A Coreia do Norte afirmou nesta quinta-feira, 10, que o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu futuro governo terão que lidar com um “Estado nuclear”, e chamou as tentativas americanas de desnuclearização de “ilusão obsoleta”. “Se há algo que o governo de Obama fez (….) foi colocar em grave perigo a segurança do continente americano”, afirma o jornal do partido único do país em um editorial.

“Lega ao novo governo a carga de ter que fazer frente ao Estado nuclear de Juche”, completa o jornal Rodong Sinmum, em referência à doutrina ideológica norte-coreana centrada na noção de “autossuficiência”. O jornal não cita o nome de Donald Trump.

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, e o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, são vistos em reportagem exibida em TV no metro de Seul, na Coreia do Sul (FOTO: AP Photo/Ahn Young-joon)

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, e o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, são vistos em reportagem exibida em TV no metro de Seul, na Coreia do Sul (FOTO: AP Photo/Ahn Young-joon)

Alguns especialistas pedem, há algum tempo, uma mudança no tratamento de Washington a Pyongyang. O coordenador do serviço de inteligência americano, James Clapper, afirmou no final de outubro que tentar convencer Pyongyang a renunciar ao programa nuclear é algo fadado ao fracasso.

Durante a presidência de Barack Obama, Washington se mostrou inflexível na postura de rejeitar uma Coreia do Norte nuclear, condicionando qualquer diálogo a um compromisso, com possibilidade de comprovação, do país com desnuclearização.

O jornal oficial norte-coreano cita os comentários de James Clapper para afirmar que existe um consenso geral para aceitar a Coreia do Norte como Estado nuclear. As autoridades americanas “devem tomar nota das declarações de Clapper. As esperanças americanas de desnuclearização da Coreia do Norte são uma ilusão obsoleta”.

Donald Trump não explicou durante a campanha qual será sua política específica para a Coreia do Norte, mas deu a entender que estava aberto a estabelecer negociações com o regime norte-coreano de Kim Jong-Un. “Se viesse aqui, aceitaria”, afirmou em junho a simpatizantes em Atlanta.

Desde seu primeiro teste nuclear de 2006, a Coreia do Norte sofreu cinco séries de sanções da ONU.
Depois do quinto teste nuclear, realizado em setembro, o Conselho de Segurança da ONU debate novas sanções.

Aliança. O gabinete da presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, informou que Trump se comprometeu a defender a Coreia do Sul sob uma existente aliança de segurança durante telefonema com a líder asiática ainda na quarta-feira.

Trump disse durante a campanha eleitoral que deseja retirar militares americanos da Coreia do Sul a não ser que Seul arque com uma parcela maior do custo de envio. Há cerca de 28,5 mil militares dos EUA na Coreia do Sul, em defesa conjunta contra a Coreia do Norte.

Park disse que a aliança entre os dois países cresceu à medida que enfrentaram diversos desafios nas últimas seis décadas e disse esperar que os laços se desenvolvam ainda mais. Ela pediu a Trump para se juntar aos esforços para ajudar a minimizar a ameaça do Norte.

Trump concordou com Park e disse: “Seremos firmes e fortes no que diz respeito a trabalhar com você para proteger contra a instabilidade da Coreia do Norte”, informou o gabinete da presidente sul-coreana. / AFP e REUTERS

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