Cotados por Trump preocupam ecologistas

Magnata rejeita aquecimento global e cogita para cargo ambiental nome ligado a petroleiras

Redação Internacional

11 de novembro de 2016 | 05h00

Giovana Girardi

Negacionista convicto do aquecimento global, ao qual chamou uma vez no Twitter de “conceito criado por e para chineses de modo a tornar a manufatura americana não competitiva”, Donald Trump deixou ontem todos que trabalham com as mudanças climáticas aflitos com o que sua eleição pode representar para o Acordo de Paris, estabelecido justamente para combater o problema.

O assunto é o mais falado desde quarta-feira nos corredores da Conferência do Clima da ONU, que é realizada em Marrakesh (Marrocos), acompanhado das dúvidas: quanto do que ele prometeu em campanha vai realizar de fato e quanto isso pode comprometer todo o processo diplomático.

House Speaker Paul Ryan escorts President-elect Donald Trump onto the Speaker?s Balcony, at the Capitol building in Washington, Nov. 10, 2016. Trump saw preparations already being made for the inauguration. (Al Drago/The New York Times)

Paul Ryan e Trump convesam no Capitólio (Al Drago/The New York Times)

Um sinal de que Trump realmente pode pôr a perder o legado de Barack Obama nessa seara é o nome que ele escolheu para fazer a transição da Agência de Proteção Ambiental (EPA): Myron Ebell, um conhecido negacionista das mudanças climáticas. O nome havia aparecido em setembro em reportagem da revista Scientific American e ontem foi reforçado pelo Político.

Ebell é diretor do Centro para Energia e Ambiente do Instituto Empresarial Competitivo (CEI, na sigla em inglês), um grupo que, segundo a imprensa americana, já recebeu financiamento de empresas do setor de petróleo, como Exxon Mobil e Indústrias Koch.

Governando a maior parte de seu mandato com um Congresso de maioria republicana, Obama tomou decisões em favor do clima com base em alterações de regras anteriores da EPA. Assim ele conseguiu criar o Plano de Energia Limpa, que estabelece redução de emissões de gases de efeito estufa no setor de energia. A EPA, por princípio, regula poluentes que fazem mal à saúde. Obama argumentou que as mudanças climáticas trarão impacto direto à saúde das pessoas, portanto, os gases causadores do problema deveriam ser regulados como tal. Com Ebell na EPA, o plano pode ficar seriamente comprometido.

Trump também prometeu “trazer de volta” a indústria do carvão, justamente reduzindo regulações ambientais. O carvão é o mais danoso combustível fóssil, com maior poder de emissão de gás carbônico. Por outro lado, criticou os subsídios à energia solar e eólica.

Especialistas em negociações climáticas lembram que a transição para uma economia limpa é fonte de empregos. “Trump enfatizou a promessa de criar milhões de novos empregos. A maneira mais eficaz de fazer isso é abraçando a revolução das energias renováveis”, afirmou Alden Meyer, da União dos Cientistas Preocupados.

A revista Nature apelou para que Trump escute a ciência, em editorial de ontem: “Ele deveria deixar os painéis solares no telhado. Não mexer com o Acordo de Paris. E deixar para trás suas atitudes prejudiciais e impopulares e abraçar a realidade, a racionalidade e a evidência”.

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