Criticado pela demora, Obama visita Louisiana após inundações e promete apoio a moradores

Criticado pela demora, Obama visita Louisiana após inundações e promete apoio a moradores

O desastre trouxe de volta memórias dolorosas do furacão Katrina, que há 11 anos inundou a região metropolitana de Nova Orleans, no mesmo Estado, e deixou mais de 1,8 mil mortos em todo o país

Redação Internacional

23 Agosto 2016 | 20h24

BATON ROUGE, EUA – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi de porta em porta no bairro paroquiano de Baton Rouge, nesta terça-feira, 22, abraçando pessoas e oferecendo garantias de que o país os ajudará a se recuperar de uma das piores inundações já registradas na Louisiana.

“O que eu quero é que as pessoas da Louisiana saibam é que elas não estão sozinhas, mesmo depois que as câmeras da TV forem embora”, disse Obama após visitar casas de alvenaria cujos gramados estavam cobertos por placas de gesso e colchões e sofás ensopados.

President Barack Obama hugs a boy as he tours the flood-damaged Castle Place neighborhood of Baton Rouge, La., Tuesday, Aug. 23, 2016. Obama is making his first visit to flood-ravaged southern Louisiana as he attempts to assure the many thousands who have suffered damage to their homes, schools and businesses that his administration has made their recovery a priority. (AP Photo/Susan Walsh)

Obama abraça garoto, cuja família perdeu tudo nas enchentes. Foto: AP Photo/Susan Walsh

Mais de 76 cm de chuvas caíram em partes do Estado, no pior desastre desde a supertempestade Sandy, em 2012. Pelo menos 13 mortes foram atribuídas à inundação e mais de 60 mil lares foram danificados.

Mais de 100 mil pessoas se inscreveram em programas de auxílio federal, disse Obama, e até agora mais de US$ 120 milhões de dólares foram aprovados. Muitas pessoas não tinham seguro contra inundações.

A quantia necessária para ajudar os moradores ainda deve ser determinada, disse Obama, observando que o Congresso pode precisar aprovar mais auxílios. Ele pediu que os americanos sejam voluntários e doem mais dinheiro à Cruz Vermelha.

O presidente chegou ao Estado na esperança de oferecer apoio às comunidades devastadas e silenciar os seus críticos, que dizem que ele deveria ter feito a visita antes.

Obama tem sido alvo de críticas por não ter encurtado suas férias de duas semanas na ilha de Martha’s Vineyard para visitar o Estado da Costa do Golfo.

A Guarda Nacional foi mobilizada e o governo federal tem mostrado que está fazendo todo o possível para acelerar a recuperação.

O desastre trouxe de volta memórias dolorosas do furacão Katrina, que há 11 anos inundou a região metropolitana de Nova Orleans, na Louisiana, e deixou mais de 1,8 mil mortos em todo o país.

Obama, com botas de caminhada e as mangas da camisa arregaçadas, aterrizou em Baton Rouge hoje, uma das áreas mais atingidas.

Obama declarou 20 das 64 paróquias da Louisiana (equivalentes aos condados nos demais Estados) áreas de grande desastre, agilizando a chegada de assistência federal.

Pontos políticos. A alguns meses da eleição de novembro, as viagens de Obama se tornaram inevitavelmente outro ponto de discussão nas campanhas presidenciais.

O candidato republicano, Donald Trump, visitou comunidades atingidas pelas enchentes na semana passada e provocou o presidente sobre a sua ausência. “Honestamente, Obama deveria sair do campo de golfe e ir para lá”, disse Trump.

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, defendeu na terça-feira a “rapidez e eficácia” da resposta do governo federal.”Acho que o presidente está acostumado com pessoas que tentam marcar pontos políticos, mesmo em situações onde não deveriam”, disse Earnest.

“Estamos falando de vidas perdidas. Estamos falando de uma comunidade que está sendo destruída. (…) É um momento oportuno para colocar a política de lado e realmente focar nas nossas responsabilidades como americanos”, acrescentou.

Antes da visita de Trump, o governador de Louisiana, o democrata John Bel Edwards, disse que o candidato seria bem-vindo ao Estado, “com a condição de que não se trate só de posar para as fotos”.

“Esperamos que ele considere se voluntariar ou fazer uma doação considerável para o Fundo de Ajuda para Inundações para ajudar as vítimas desta tempestade”, disse Edwards.

O governador também justificou a decisão de Obama de não ter ido ao Estado antes, argumentando que uma visita presidencial exige tais medidas de segurança que seria necessário disponibilizar policiais que estavam ocupados ajudando os afetados.

Um argumento também utilizado pela candidata democrata Hillary Clinton, que disse que preferia dar tempo para os serviços de resgate fazerem seu trabalho, em uma crítica implícita ao rival republicano.

“Me comprometi a visitar as comunidades afetadas por estas inundações, em um momento em que a presença de uma campanha política não vá atrapalhar a resposta”, disse Hillary, pedindo doações para a Cruz Vermelha.

Os republicanos costumam receber a maioria dos votos de Louisiana nas eleições presidenciais. O último candidato democrata a ganhar no Estado foi o ex-presidente Bill Clinton, que disputava com Bob Dole, em 1996. / REUTERS e AFP